MP vai analisar caso de jovem que caiu de prédio

A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre a morte de Alexandre Rodrigues Ramos, em Londrina, e enviou o caso ao MP-PR após indiciar quatro homens.

Foto: Reprodução / G1 Paraná

Polícia Civil indiciou quatro homens em Londrina por tortura com resultado morte e afirmou que a vítima caiu ao tentar fugir pela sacada.

O Ministério Público do Paraná vai decidir se apresenta denúncia à Justiça no caso de Alexandre Rodrigues Ramos, de 27 anos, morto após cair do 14º andar de um prédio em Londrina. Segundo o g1 Paraná, a Polícia Civil do Paraná concluiu o inquérito e indiciou quatro homens por tortura com resultado morte e agravante de cativeiro.

Os investigados são colegas de apartamento da namorada de Alexandre. De acordo com a investigação, eles o prenderam, agrediram, doparam e torturaram depois de suspeitarem que ele havia furtado uma câmera fotográfica avaliada em R$ 12 mil. Os nomes dos suspeitos não foram divulgados.

A Polícia Civil apontou que Alexandre não foi jogado do prédio. A conclusão foi baseada em laudo da Polícia Científica, que indicou que a queda ocorreu quando ele tentava escapar da tortura pela sacada e acessar o apartamento de baixo.

Ao detalhar esse ponto, o delegado Roberto Fernandes afirmou: “Foi uma queda involuntária. O laudo descartou que o corpo foi jogado, em razão também de um testemunho do morador do apartamento logo abaixo de onde ocorreram os fatos. A vítima tentou acessar a sacada do apartamento de baixo, mas não conseguiu, porque, além de ter o vidro fechado, tinha a rede [de proteção]. A rede ele conseguiu romper uma parte dela com os pés. Essa testemunha fala que só o viu tentando acessar ali com os pés e depois despencar. O laudo comprovou essa dinâmica”.

O que a investigação aponta

Conforme a Polícia Civil, Alexandre ficou amarrado e trancado em um cômodo durante as agressões, no dia 14 de agosto. Nos celulares dos suspeitos, foram encontradas fotos em que a vítima aparece amarrada. Fernandes disse que, nos interrogatórios, os homens não negaram as agressões nem o fato de terem mantido Alexandre trancado para que confessasse o suposto furto.

O delegado Roberto Fernandes informou que as agressões físicas e psicológicas duraram aproximadamente três horas. Já o delegado Miguel Chibani relatou que os ataques ocorreram ao longo de cerca de quatro horas. Segundo ele, o confronto começou por volta das 22h30 de quinta-feira (13), quando os quatro suspeitos abordaram Alexandre com uma faca.

Em seguida, ainda de acordo com Chibani, a vítima teve pés e mãos amarrados com um cabo de extensão e foi forçada a ingerir dois comprimidos de uma medicação que causa irresponsividade. Ao descrever o que foi apurado, o delegado disse: “Ele foi agredido mediante chute, soco, tapa no rosto, foi ameaçado de morte, houve o relato de que um deles dizia que eles iam retalhar o corpo… Ele acabou falando a respeito do furto e admitiu. A vítima do furto, que no caso é coautora dessa tortura, acabou ainda na madrugada se deslocando e conseguiu conversar com o comprador da câmera, que já tinha se desfeito dela em troca de um celular e de uma quantia em dinheiro”.

Chibani também afirmou que um dos suspeitos pediu uma pizza depois que Alexandre foi agredido.

Como o caso chegou à polícia

No apartamento moravam seis pessoas: a namorada de Alexandre, os quatro suspeitos e um homem que denunciou o caso após a chegada da polícia. Inicialmente, a ocorrência foi registrada como suicídio. No local, porém, os agentes viram que a chave do cômodo de onde a vítima teria caído estava do lado de fora da porta.

Durante as apurações iniciais, testemunhas relataram tortura, encarceramento e agressões. Testemunhas e suspeitos foram levados à delegacia e, segundo Chibani, dois deles confessaram os delitos. A namorada de Alexandre disse à polícia que viu o que acontecia, tentou entrar no cômodo e foi ameaçada por um dos suspeitos.

Os quatro homens respondem ao processo em liberdade. Eles deixaram a prisão no domingo (6), depois de 24 dias detidos. Três usam tornozeleira eletrônica, e todos estão proibidos de manter contato com testemunhas ou de sair da cidade sem autorização.

Em nota, a defesa dos investigados declarou que “os mesmos elementos informativos e laudos periciais constantes do inquérito permitem conclusões jurídicas e fáticas diversas, razão pela qual aguardará a análise do Ministério Público e exercerá o contraditório no momento oportuno”.

Com informações do G1 Paraná

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