Estimativas privadas apontam mercado ilegal forte em bebidas, pneus e celulares, enquanto importações formais cresceram em 2025.
A redução de barreiras para importações na Argentina veio acompanhada de um avanço do mercado ilegal em diferentes setores. Segundo a CNN Brasil, associações empresariais estimam que até 40% da cerveja e 30% dos pneus vendidos no país sejam fruto de contrabando. No caso dos celulares, a fatia do mercado ilegal teria saído de 7%, antes da chegada de Javier Milei ao poder, para mais de um terço.
O movimento aparece numa fronteira já marcada por esse tipo de circulação. À margem do rio Bermejo, perto da divisa entre Bolívia e Argentina, barcos recebem fardos de mercadorias para o mercado argentino. Entre os produtos citados estão uísque, roupas, celulares, cigarros e garrafas térmicas, que seguem por rios, estradas e postos aduaneiros.
As estimativas mencionadas foram produzidas pelo setor privado, e a própria análise indica que esses números devem ser lidos com prudência. Ainda assim, o quadro descrito envolve um volume relevante de mercadorias que escapariam do circuito formal.
O que mudou na importação
Parte desse cenário é associada à forma como a abertura comercial foi conduzida. Milei assumiu após herdar, de acordo com a análise, um sistema com câmbio paralelo, tarifas elevadas e burocracia, fatores que encareciam ou dificultavam o acesso a produtos estrangeiros.
Entre as medidas adotadas pelo governo, o limite das importações por courier passou de US$ 1 mil para US$ 3 mil. Além disso, os primeiros US$ 400 das compras para uso pessoal ficaram isentos de tarifas. Em 2025, as importações de bens de consumo cresceram 55%, enquanto as compras internacionais pela internet quase triplicaram.
O ponto levantado no texto não é a abertura em si, mas o descompasso entre a retirada de controles e a manutenção de custos sobre as empresas que operam dentro das regras. Um importador ouvido pelo Financial Times afirmou pagar US$ 90 em tributos por cada US$ 100 de mercadoria declarada. Quando há subfaturamento, essa conta pode cair para 35.
Impacto econômico e fiscal
A consultoria MAP estima que o contrabando de apenas sete categorias de produtos tenha retirado US$ 2,3 bilhões dos cofres argentinos em 2025. A perda, segundo a análise, vai além da arrecadação e alcança empresas, empregos, a segurança dos produtos e o financiamento de organizações criminosas que usam as mesmas rotas para diferentes mercadorias, legais ou ilegais.
Nesse contexto, o texto sustenta que uma economia mais aberta exige capacidade maior de cruzar dados, rastrear mercadorias, fiscalizar com base em critérios de risco e aplicar punições com rapidez. A avaliação é que simplificação aduaneira e inteligência fiscal precisariam caminhar juntas.
Milei declarou ao Congresso: “uma empresa incapaz de competir deve fechar.” A frase, segundo a análise reproduzida pela CNN Brasil, perde força quando a disputa envolve empresas formais de um lado e operadores que não pagam impostos, não cumprem regras e não respondem pela origem do produto de outro.
A avaliação final é que a Argentina precisava aliviar barreiras ao comércio, mas sem abrir mão da capacidade de distinguir a atividade econômica regular da circulação criminosa.
Com informações da CNN Brasil