Tribunal vincula esquema a pagamentos da construtora chinesa Sinohydro entre 2009 e 2018.
Um tribunal do Equador condenou o ex-presidente Lenín Moreno nesta sexta-feira (28) por suborno relacionado à construção da maior usina hidrelétrica do país, segundo informações da Procuradoria-Geral do país.
A investigação, iniciada em março de 2023, aponta uma rede de corrupção que envolve Moreno, familiares, parceiros de negócios locais e chineses — incluindo o ex-embaixador da China em Quito — ligada à usina Coca Codo Sinclair, que entrou em operação em 2016 e tem enfrentado problemas técnicos desde então.
A sentença
“A conduta de Lenín Moreno é compatível com as acusações apresentadas pela promotoria: o crime de suborno atribuído a um funcionário público”, afirmou o juiz Manuel Cabrera, presidente do tribunal, ao proferir a sentença. A esposa e a filha de Moreno também foram condenadas.
Os promotores haviam solicitado penas superiores a seis anos para Moreno e outros 19 réus. A Sinohydro, construtora chinesa, pagou aproximadamente US$ 76,1 milhões em subornos entre 2009 e 2018 por meio de contratos de consultoria fraudulentos, segundo a Procuradoria-Geral.
O esquema
Os investigadores alegaram que os recursos foram repassados via contas bancárias no exterior e empresas de fachada em paraísos fiscais para a família e associados de Moreno. A promotoria afirmou que Moreno e parentes próximos receberam mais de US$ 1 milhão enquanto ele ocupava o cargo de vice-presidente, entre 2007 e 2013.
Moreno, de 73 anos, negou sistematicamente as acusações. “Um conselho ao promotor: você está procurando no lugar errado. Olhe para aqueles que assinaram os contratos, para aqueles que tinham o hábito de exigir propinas; você está procurando no lugar errado”, disse durante a audiência.
Moreno foi presidente do Equador de 2017 a 2021 e retornou do Paraguai para enfrentar o julgamento.
Com informações da CNN Brasil