Iniciativa holandesa de 2007 já opera em 22 países e foi levada à província de Santa Fé por enfermeiro argentino
Um menino hospitalizado com doença terminal em Rosário, na Argentina, tinha um desejo aparentemente simples: visitar o Museu do Esporte de Santa Fé para ver de perto uma réplica da taça da Copa do Mundo erguida por Lionel Messi em 2022. A viagem, porém, era inegavelmente arriscada em sua condição. Com ajuda da Ambulância do Desejo, ele conseguiu realizá-lo.
A fundação, criada na Holanda em 2007, atua em 22 países com voluntários que recebem, gerenciam e realizam transferências médicas de pacientes em fase terminal para cumprir “desejos possíveis”, segundo a CNN. A iniciativa chegou à província de Santa Fé neste ano, trazida pelo enfermeiro argentino Juan Manuel Gálvez.
Gálvez conheceu o projeto em 2018, durante um treinamento de emergência na Espanha. Desde então, buscou replicá-lo em seu país. “Onde houver problemas, quero estar lá, estendendo a mão”, disse ele à CNN. Em 2025, após contatar o filho do criador da fundação em Rotterdam, conseguiu autorização para estabelecer a organização na Argentina.
De pai a filho, uma expansão mundial
O projeto nasceu de forma íntima. Em 2007, o holandês Kees Veldboer transportava um paciente chamado Mario para uma consulta adiada. Perguntou o que ele faria se pudesse escolher. Mario respondeu sem hesitar: ver o mar. Veldboer realizou o desejo e, meses depois, criou a fundação. Seu filho administra a organização sem fins lucrativos desde a morte do pai na pandemia de Covid-19.
Gálvez trabalhou mais de 20 anos no sistema público de ambulâncias de Santa Fé e foi bombeiro voluntário. A história de seu pai, paciente de câncer, influenciou sua sensibilidade para a causa. “Quem nunca teve um amigo ou um familiar que sofreu com esse tipo de doença incapacitante, alguém que queria algo simples, como ir a algum lugar, ou ver um filho em um evento escolar?”, questiona.
Voluntários e doações em corrente
A estrutura argentina foi construída com ajuda de estudantes de Economia da Universidade Nacional de Rosário, que gerenciaram o processo de obtenção de personalidade jurídica. Uma ambulância fora de serviço foi doada, consertada e pintada por voluntários. “Absolutamente tudo o que você pode imaginar foi feito voluntariamente”, afirma Gálvez.
A equipe reúne 23 pessoas de diferentes profissões — médicos, enfermeiros, bombeiros, psicólogos, motoristas — que atuam sem remuneração. Desde o lançamento em maio, foram recebidos cerca de 100 pedidos, dos quais 20 eram viáveis. Até início de agosto, pelo menos dez desejos já haviam sido realizados.
A fundação prioriza agilidade: uma vez aprovado o pedido com requisitos médicos, o prazo máximo é de 72 horas. O foco está em “lugares simples”, como assistir a um jogo, ir a um parque com um neto ou ver o mar. “Tentamos demonstrar empatia e oferecer conforto”, explica Gálvez. “Para a família, esses momentos são inesquecíveis.”
Com informações da CNN Brasil