Boate diz que festa ligada a Vorcaro foi terceirizada

Após nota nas redes, a Madame Underground Club afirmou que o evento atribuído a Daniel Vorcaro foi alugado a terceiros e sem contato direto com ele.

Interior de boate com iluminação vermelha e letreiro neon "Madame", com pessoas circulando e conversando
Interior de boate com iluminação vermelha e letreiro neon "Madame", com pessoas circulando e conversando. Foto: Reprodução / CNN Brasil

Madame Underground Club afirmou não ter negociado diretamente com o banqueiro; advogado ouvido pela CNN Brasil diz que o local não responde civil nem criminalmente pelo caso.

A Madame Underground Club informou, na sexta-feira (11), que o espaço usado na festa atribuída ao banqueiro Daniel Vorcaro havia sido alugado a uma produtora terceirizada. Segundo a CNN Brasil, a casa noturna afirmou que não houve contato direto entre sua administração e a pessoa citada nas reportagens sobre o caso.

A nota foi publicada nas redes sociais um dia depois de a revista Piauí divulgar uma reportagem sobre o evento, que teria ocorrido em 31 de outubro de 2023, em São Paulo. De acordo com o relato citado pela CNN Brasil, a festa teria sido organizada pelo ex-ministro Fábio Faria (PP) e pelo promoter Tiago Polo, com a suposta presença de autoridades como Rodrigo Pacheco e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

À revista, o presidente do Senado negou ter participado. Já à CNN Brasil, Pacheco voltou a negar a presença no evento e disse que, naquela data, estava em Brasília, presidindo uma sessão na Câmara Alta do Congresso até o período da noite.

Na manifestação pública, a equipe da boate declarou que, “nos dias em que a casa não opera com sua programação cultural habitual, suas instalações ficam disponíveis para locação com finalidades diversas”. Na sequência, acrescentou que, na data mencionada nas reportagens, a casa foi “locada para uma agência/produtora de eventos terceirizada”, sem “negociação direta entre a administração do clube e a pessoa física mencionada nas reportagens recentes”.

O argumento sobre responsabilidade

Ainda na nota, o estabelecimento sustentou que a organização do encontro, a lista de convidados, o conteúdo e a condução da festa caberiam exclusivamente aos contratantes e produtores.

Ouvido pela CNN Brasil, o advogado Dr. Glauber Bez, especialista em direito civil e criminal, afirmou que a boate não tem responsabilidade civil ou criminal pelos fatos investigados. Segundo ele, houve apenas um contrato comercial de locação com uma produtora terceirizada, sem vínculo direto com os indivíduos sob investigação.

De acordo com o advogado, a responsabilização pessoal não pode ser repassada ao locador por atos independentes do locatário ou de convidados. Ele também disse que a locação foi feita a preço de mercado e antes de as alegações se tornarem públicas, o que, em sua avaliação, demonstra boa-fé do clube.

A casa noturna

A Madame é uma casa de shows da cena alternativa paulistana desde a década de 1980. O espaço fica no Bixiga, região central da capital paulista, e recebeu o nome em referência a Madame Satã, personagem ligada à boemia carioca e à vida noturna da Lapa.

O período de maior projeção foi nos anos 1980, quando a boate se associou à new wave e também abriu espaço para outros estilos. Entre os nomes que passaram pelo local estão Rita Lee, Marisa Orth, João Gordo e Kid Vinil. Bandas como RPM, Titãs, Ira! e Legião Urbana fizeram ali alguns de seus primeiros shows.

Depois de um período fechado, a casa retomou as atividades em 2012, já usando apenas o nome Madame. Hoje, é considerada patrimônio histórico da cidade de São Paulo, tem hamburgueria, espaço para shows com capacidade para 350 pessoas e segue recebendo eventos de música gótica, pós-punk, dark wave e EBM.

Com informações da CNN Brasil

Compartilhar
Veja e comente no InstagramEsta matéria também está no @siteprojac