Iniciativa holandesa chegou à Argentina em 2025 e já atendeu dezenas de pedidos com equipe de voluntários
Um menino hospitalizado com doença terminal em Rosário, na Argentina, tinha um sonho: visitar o Museu do Esporte de Santa Fé, onde está uma réplica da taça da Copa do Mundo erguida por Lionel Messi em 2022. A viagem era arriscada em sua condição, mas ele conseguiu realizá-la. Segundo a CNN Brasil, esse é um dos casos atendidos pela Ambulância do Desejo, projeto que desde 2007 leva pacientes em estágios finais de doença para concretizar “desejos possíveis”.
A fundação surgiu na Holanda e hoje opera em 22 países. Na América Latina, já atuava em El Salvador e Equador antes de chegar à província de Santa Fé, na Argentina, em 2025. O responsável pela expansão local é Juan Manuel Gálvez, enfermeiro e profissional de emergência há mais de duas décadas no sistema público de ambulâncias da província.
De pai a filho
Gálvez conheceu o projeto em 2018, durante um treinamento na Espanha. Em seguida, viajou a Rotterdam para conversar com o filho de Kees Veldboer, criador da iniciativa. Veldboer teve a ideia ao transportar um paciente chamado Mario que, diante de uma consulta adiada, disse querer ver o mar. O profissional realizou o desejo e, meses depois, fundou a organização.
A replicação na Argentina dependeu de uma “corrente de favores”, como descreve Gálvez. Estudantes de Economia da Universidade Nacional de Rosário ajudaram a estruturar a personalidade jurídica. Uma ambulância fora de serviço foi doada, consertada e pintada por voluntários. A equipe hoje reúne 23 pessoas — médicos, enfermeiros, bombeiros, psicólogos, motoristas — que trabalham sem remuneração.
O que muda na prática
A fundação concentra-se em pacientes que precisam de assistência médica para sair de casa. Os pedidos variam: uma última reunião familiar, um passeio no parque com o neto, ver o mar. A equipe tenta realizar cada desejo em até 72 horas após aprovação médica, antes que o estado do paciente se agrave ou condições externas interfiram.
Desde o lançamento em maio deste ano, já foram recebidos cerca de 100 pedidos. Vinte foram considerados viáveis, e dez já foram concretizados até início de agosto. “A ideia é aproximá-los de lugares simples”, explica Gálvez. “Esse desejo simples que parece fácil para qualquer um de nós porque estamos bem.”
O trabalho exige equilíbrio emocional. Gálvez admite que há alegria e tristeza entrelaçadas. Para ele, o projeto permite falar sobre o fim da vida “de uma forma que priorize o prazer em vez do trauma”. Ele mesmo teve uma experiência próxima da morte em 2025, quando sofreu um infarto ao voltar da Holanda. “Sou grato pela vida e acredito que ainda tenho uma missão a cumprir”, disse à CNN Brasil.
Com informações da CNN Brasil