Hemograma ajuda a detectar sinais de câncer no sangue

Especialista explica que infecções, sangramentos e anemia podem ser sinais de leucemias agudas, com hemograma como início da investigação.

Foto: Reprodução / CNN Brasil

Em entrevista ao CNN Sinais Vitais, o hematologista João Guerra explicou quais sintomas costumam levar pacientes com leucemias agudas ao pronto-socorro e quando o mielograma é indicado.

Infecções, sangramentos e anemia estão entre os sinais que podem levar à suspeita de leucemias agudas, e o hemograma costuma ser o primeiro exame usado nessa investigação. Segundo a CNN Brasil, a orientação foi detalhada pelo hematologista João Guerra no programa CNN Sinais Vitais, exibido neste sábado (16).

Guerra, que é coordenador médico do Setor de Hematologia e Coagulação do Einstein Hospital Israelita, afirmou que pacientes com leucemias agudas frequentemente chegam ao pronto-socorro com esses quadros. Antes de exames mais aprofundados, o hemograma é o ponto de partida para avaliar alterações no sangue.

Em fala no programa, ele resumiu o papel do exame: “É a partir do simples hemograma que a gente vai identificar alterações que levam a uma suspeita”.

O que o hemograma pode mostrar

De acordo com o hematologista, quando a leucemia aguda está instalada, a medula óssea passa a liberar para o sangue periférico células jovens conhecidas como células blásticas. Elas não deveriam estar nesse local.

Essa presença anormal pode aparecer no hemograma e indicar a necessidade de ampliar a investigação. A partir daí, a apuração clínica avança para exames voltados diretamente à medula óssea.

Quando entra o mielograma

Se houver suspeita de uma doença da medula óssea, o próximo passo é o mielograma. Guerra explicou que o exame é feito por meio de uma punção óssea no osso da bacia ou no esterno e ressaltou que, atualmente, se trata de um procedimento simples.

O material coletado serve para análise morfológica das células ao microscópio. Além disso, o exame pode ser acompanhado de estudos imunológicos, como a imunofenotipagem por citometria de fluxo, estudo citogenético, que inclui o cariótipo, e análises de biologia molecular.

Segundo Guerra, esse conjunto de testes permite identificar os polimorfismos gênicos das células doentes. Em outra fala no programa, ele destacou o alcance desse diagnóstico: “Hoje nós somos capazes de identificar a alteração estrutural no DNA da célula que justifica essa doença”.

Impacto no tratamento

A identificação mais precisa das alterações nas células tem efeito direto na definição da terapêutica. Conforme explicou o especialista, esse nível de detalhamento abre caminho para o uso de drogas-alvo.

Para Guerra, esse cenário representa “uma grande revolução no diagnóstico e no tratamento” dos diferentes tipos de câncer do sangue, como leucemias, linfomas e mieloma.

Com informações da CNN Brasil

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