Simepar classifica o fenômeno como forte e aponta chance acima de 90% de que ele chegue à categoria muito forte entre a primavera e o verão.
O Paraná pode enfrentar mais episódios de chuva acima da média até o verão 2026/2027 por causa do El Niño, que já é considerado forte. Segundo o g1 Paraná, a avaliação é do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), que relaciona o fenômeno ao cenário de tempestades e estragos registrados no estado nos últimos dias.
De acordo com o órgão, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica Americana (NOAA) concluiu que o El Niño já deixou a temperatura em 1,8°C acima da média na área de referência para monitoramento, no Pacífico equatorial. O Simepar informa que há chance de intensificação nas próximas semanas.
Em nota reproduzida na reportagem, o Simepar afirma: “Até o verão 2026/2027, o Paraná poderá ter maior frequência de períodos com chuva acima da média, com possibilidade de concentração de volumes elevados em poucos dias. […] Há probabilidade acima de 90% de que o evento seja categorizado como muito forte entre a primavera e o verão no Brasil. Entre outubro e dezembro deste ano, há 75% de chance de que ele seja o mais forte de todos os El Niños já registrados desde 1950. O pico do fenômeno será entre novembro e janeiro, quando as previsões da NOAA apontam que a temperatura da superfície do mar fique 2,9°C acima da média”.
Com esse quadro, a previsão indicada pelo Simepar inclui maior risco de temporais severos, granizo, raios, enxurradas, cheias repentinas, saturação do solo e movimentos de massa. Embora a chuva acima da média seja prevista para todas as regiões do estado, os maiores desvios devem ocorrer nas regiões Centro-Sul, Sul, Oeste e Sudoeste.
O que o órgão recomenda
O Simepar destacou ainda que a influência do El Niño não dispensa o acompanhamento diário da previsão do tempo. Segundo o órgão, os períodos exatos de chuva dependem dos sistemas que estiverem atuando no estado, como frentes frias, sistemas de baixa pressão e sistemas semiestacionários.
A orientação foi resumida pelo próprio Simepar nesta declaração: “Apesar do El Niño influenciar o comportamento de precipitação e temperatura no Paraná, indicando meses e estações do ano em que estas variáveis fiquem bem distantes das médias históricas, o Simepar ressalta que o acompanhamento diário e contínuo das previsões do tempo e suas atualizações são indispensáveis, pois os períodos específicos em que os episódios de chuva irão ocorrer dependem dos tipos de sistemas atuantes na região (frentes frias, sistemas de baixa pressão ou sistemas semiestacionários, por exemplo)”.
O que já apareceu nas medições
Os efeitos já vinham sendo observados desde o início do inverno, somados a outros fenômenos atmosféricos. Em agosto, entre 47 estações meteorológicas do Simepar com mais de cinco anos de operação, apenas Cianorte, Maringá e Apucarana ficaram abaixo da média de chuva.
Ainda em agosto, houve maior volume para o mês desde a instalação das estações de Fazenda Rio Grande, em 2009, de Laranjeiras do Sul, em 2017, e do Distrito de Horizonte, em Palmas, em 2019. Em julho, só quatro estações registraram chuva abaixo da média histórica: Antonina, Cerro Azul, Guaratuba e Guaraqueçaba. Nas outras 41, o volume superou a média.
Em Palmas, os 311 mm medidos em julho de 2026 foram o maior valor para o mês desde a instalação da estação, há 28 anos. Também houve recorde para julho, em 2026, nas estações de Altônia, Cianorte, Cornélio Procópio, Cruzeiro do Iguaçu, Foz do Iguaçu e Ubiratã. Em junho, apenas a estação da Reserva Natural Salto Morato, em Guaraqueçaba, ficou abaixo da média histórica, com 10,2 mm a menos que o esperado para o período.
Como o fenômeno é definido
O El Niño – Oscilação Sul (ENOS) ocorre no Oceano Pacífico equatorial e em áreas próximas, com alterações na temperatura da superfície do mar e na circulação atmosférica. O Simepar descreve o fenômeno como um dos principais reguladores do clima em várias partes do planeta.
Na definição do órgão, “É um dos fenômenos climáticos mais importantes da Terra devido a sua capacidade de alterar a circulação atmosférica global e, como consequência, influenciar o comportamento da temperatura do ar e da precipitação em vastas áreas da Terra por períodos que vão de vários meses a anos”.
O Simepar também informou que o El Niño corresponde à parte oceânica do ENOS. Já a Oscilação Sul é a componente atmosférica. Sobre esse ponto, o órgão diz: “Já a Oscilação Sul corresponde à componente atmosférica do ENOS e está relacionada com as variações na pressão atmosférica ao nível do mar entre o Oceano Pacífico tropical oeste e leste. Já são observadas mudanças na direção dos ventos na baixa e alta atmosfera (áreas entre 10 km da superfície da Terra, e até 1,5 km)”.
Com informações do g1 Paraná
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