Nova tributação pode levar imobiliárias ao prejuízo

Reforma Tributária exigirá revisão de preços, contratos e custos nas imobiliárias, com risco de operação no negativo para parte das empresas.

Mão puxando bolso vazio com desenho de personagem assustado ao lado
Mão puxando bolso vazio com desenho de personagem assustado ao lado. Foto: Reprodução / Bem Paraná

Mudança com início ainda neste ano e consolidação em 2033 exigirá revisão de preços, contratos e custos; setor discute efeitos em evento em Curitiba.

A troca dos tributos atuais sobre o consumo pelo IBS e pela CBS deve obrigar imobiliárias a refazer contas básicas do negócio, da formação de preços à gestão de contratos. Segundo o Bem Paraná, a mudança pode levar parte das empresas a operar no negativo caso não consigam absorver ou repassar o impacto da nova tributação.

No setor, os serviços de administração e intermediação de bens imóveis ficam submetidos a um regime específico. Com isso, as empresas terão de revisar a carga efetiva, os créditos tributários disponíveis e a forma como montam seus preços.

A CEO da Contimob, empresa especializada em contabilidade imobiliária, Franciele Rocha, afirma que o efeito pode chegar ao funcionamento das operações. “No entanto, não existe exatamente um prazo específico de meses ou anos para uma empresa fechar a partir do momento em que passa a operar no negativo, até porque esse fechamento de portas dependeria principalmente de quanto tempo a empresa conseguiria financiar esse prejuízo”, afirma.

Onde está o risco

De acordo com Franciele Rocha, o problema central está na combinação entre alta de custos, preço mal calculado e falta de planejamento financeiro. Nesse quadro, empresas com menor margem operacional têm menos espaço para absorver a mudança sem perder resultado.

A CEO da Contimob resume quais negócios estariam mais expostos: “Imobiliárias com margens muito reduzidas, alto custo fixo, dependência de uma única fonte de receita ou baixa capacidade de repassar aumentos aos clientes tendem a estar mais expostas, independentemente da praça em que atuam”.

O impacto, porém, não deve ser igual para todo o mercado. Uma empresa focada na administração de locações pode enfrentar um efeito diferente daquele sentido por imobiliárias voltadas principalmente à intermediação de vendas. Nesse cálculo, pesam a composição das receitas, o tempo dos contratos e a possibilidade de renegociar condições.

Transição longa, mas sem folga

Embora a implementação da Reforma Tributária seja gradual, com início ainda para este ano e consolidação do novo modelo em 2033, esse intervalo não é tratado como margem confortável para o setor. A avaliação apresentada no texto é que o período de transição não deve ser lido como prazo de segurança para as empresas.

Essa pressão já chegou aos debates internos do mercado imobiliário e aos encontros do setor. Em Curitiba, o tema estará no CUPOLA Aluguel Day, promovido pela CUPOLA neste mês.

Rodrigo Werneck, estrategista-chefe da empresa, diz que o desafio não se limita a acompanhar a legislação. “Mais do que acompanhar as mudanças na legislação, as imobiliárias precisarão compreender como elas afetam o cotidiano das operações”, afirma.

O que pode reduzir o impacto

Apesar do cenário de pressão sobre custos e margens, a adaptação antecipada também pode abrir espaço para reduzir perdas. Segundo Franciele Rocha, imobiliárias que souberem precificar, negociar e escolher o regime tributário mais adequado poderão mitigar os efeitos da mudança, preservar margens e até reduzir a carga tributária.

Ela ressalta que uma eventual migração para outro regime deve ser feita com análise estratégica, considerando receitas, despesas, créditos e as operações realizadas pela empresa. “Uma decisão bem estruturada poderá não apenas evitar perdas, mas também aumentar o lucro líquido de uma imobiliária”, conclui.

O CUPOLA Aluguel Day está marcado para 30 de setembro de 2026, das 8h às 18h, no Teatro UP Experience – Universidade Positivo, na Rua Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 5300, no Campo Comprido, em Curitiba. O formato será híbrido, com participação presencial e online.

Com informações do Bem Paraná

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