Movimento acompanhava a queda do petróleo no exterior e a leitura do mercado sobre as pesquisas eleitorais no Brasil.
O mercado financeiro operava em alta para a Bolsa e em queda para o dólar no início da tarde desta segunda-feira (21). Segundo o Bem Paraná, por volta das 12h30 a moeda americana recuava 0,68%, cotada a R$ 5,109, enquanto a Bolsa avançava 0,51%, aos 186.176 pontos.
No exterior, o principal fator observado pelos investidores era a baixa do petróleo. O barril de Brent, referência mundial da commodity, para novembro, atingiu mínima de 3,5%, a US$ 100,22. Já o WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, chegou a US$ 91,60, com desvalorização de 4,66%.
A queda ocorreu em meio à expectativa maior entre analistas de uma possível trégua no conflito no Oriente Médio e à normalização do tráfego no estreito de Hormuz, rota por onde escoava cerca de 20% do petróleo e do gás consumidos no mundo. Em geral, esse movimento reduz temores sobre inflação e juros e favorece ativos de risco.
William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, afirmou: “O comportamento do petróleo continua relevante porque uma permanência da commodity em níveis elevados pode aumentar as pressões inflacionárias e limitar a margem dos bancos centrais para flexibilizar a política monetária. Por outro lado, uma redução consistente do prêmio de risco geopolítico alivia parte dessa pressão e melhora o ambiente para os ativos de risco”.
Cenário externo e eleições
A reação positiva também aparecia em outros mercados. Nos Estados Unidos, S&P 500, Dow Jones e Nasdaq subiam 0,93%, 0,49% e 1,72%, respectivamente. Ao mesmo tempo, recuavam as rentabilidades dos Treasuries de 2, 10 e 30 anos, movimento que ocorre quando os preços desses títulos sobem.
Nos últimos dias, Donald Trump sinalizou estar aberto a um encontro com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, ainda nesta semana. A autoridade de Teerã deve estar em Nova York para a Assembleia Geral das Nações Unidas. O Irã também indicou a mediadores disposição para retomar as negociações, segundo a Al Jazeera, que citou o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezaei.
Ao mesmo tempo, o ambiente segue com sinais opostos. No sábado (19), houve um ataque nos arredores do principal aeroporto de Riad, na Arábia Saudita, e os houthis, grupo do Iêmen apoiado pelo Irã, reivindicaram a ofensiva. Já os Estados Unidos anunciaram nesta segunda-feira que todas as companhias aéreas iranianas terão suas operações interrompidas a partir desta quarta-feira (23).
No Brasil, as pesquisas para a eleição presidencial também ficaram no radar. Levantamento BTG/Nexus divulgado nesta segunda-feira (21) mostrou Lula (PT) com 40% das intenções de voto no primeiro turno, ante 37% de Flávio Bolsonaro (PL). No segundo turno, os números ficaram em 46% para Lula e 45% para Flávio. Nos dois casos, a margem de erro de dois pontos percentuais configura empate técnico.
Na semana passada, o Datafolha também apontou empate técnico. No primeiro turno, Lula apareceu com 39% e Flávio Bolsonaro com 36%. No segundo, o presidente teve 46% e o senador, 44%.
Leonardo Mendes, consultor financeiro da Manchester Investimentos, disse: “O fator determinante tende a ser o cenário eleitoral. Conforme o mercado altera sua percepção sobre a trajetória fiscal e sobre o espaço para juros mais baixos no Brasil, esse componente doméstico pode prevalecer em determinados momentos sobre as pressões externas e puxar o dólar para baixo”.
O que o mercado acompanha na semana
Parte dos analistas avalia que Flávio tem discurso mais alinhado à disciplina fiscal do que Lula. Segundo a fonte, o senador afirma que, se eleito, fará um ajuste fiscal com redução de despesas e de impostos. A leitura de maior controle sobre a dívida pode diminuir o prêmio de risco exigido por investidores e aliviar a pressão sobre a curva de juros.
Nesta semana, os agentes do mercado também acompanham a Assembleia Geral da ONU, que começa na terça-feira (22), com discurso previsto de Lula. Ainda no cenário internacional, Xi Jinping chega aos Estados Unidos na quarta-feira (23), e o encontro com Trump está previsto para quinta-feira (24), com temas como inteligência artificial e comércio entre os dois países.
No Brasil, a agenda inclui a divulgação da ata do Copom na terça-feira (22) e do IPCA-15 de setembro na sexta-feira (25), indicador considerado uma prévia do IPCA.
Com informações do Bem Paraná