Curitiba aplica Maria da Penha em ataque a advogada

Advogada atacada após atuar em ação de pensão em Curitiba obteve medida protetiva pela Lei Maria da Penha em decisão inédita na advocacia do Paraná.

Um homem dentro de uma van branca com o braço para fora, próximo a dois carros estacionados em área externa
Um homem dentro de uma van branca com o braço para fora, próximo a dois carros estacionados em área externa. Foto: Reprodução / G1 Paraná

Decisão saiu um dia depois da colisão registrada por câmeras e, segundo a OAB-PR, é a primeira no estado nesse contexto da advocacia.

A advogada Kelen Cristina Ribas da Silva passou a ter medida protetiva de urgência um dia depois de ser atacada em Curitiba. Segundo o g1 Paraná, a decisão foi concedida pelo Plantão Judiciário no domingo (30), após o episódio registrado no sábado (29), e proibiu Juliano Muniz dos Santos de se aproximar dela ou fazer contato por qualquer meio.

Na decisão, o Plantão Judiciário reconheceu “risco concreto e atual à integridade física e psicológica” da advogada. O caso foi enquadrado com base no entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) de que a Lei Maria da Penha também pode ser aplicada quando a violência contra a mulher é motivada por questões de gênero, mesmo sem relação familiar, doméstica ou afetiva entre vítima e agressor.

De acordo com a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Paraná (OAB-PR), é a primeira vez que isso ocorre no estado no contexto da advocacia.

Câmeras de segurança registraram a colisão. Kelen se preparava para sair da garagem quando Juliano Muniz dos Santos, ex-companheiro de uma cliente representada por ela em uma ação de pensão alimentícia, chegou com outro veículo, colocou a cabeça para fora da janela, acelerou e bateu no carro da advogada.

Kelen relatou o momento do impacto. “Eu senti um forte impacto que jogou o meu carro para frente. Mesmo com o freio de mão puxado, o meu carro foi jogado para frente. Eu bati a cabeça, machuquei meu pescoço… E eu não entendi o que tinha acontecido”, lembra a advogada.

O que levou ao pedido

Segundo a advogada, as ameaças começaram em julho, depois que a Justiça determinou que Juliano fizesse o pagamento da pensão alimentícia para os três filhos que ele tem com a cliente dela. Conforme Kelen, ele enviava mensagens intimidatórias, ia até a casa dela e, na véspera do ataque, foi ao escritório onde ela trabalha.

Após o caso, a advogada registrou um Boletim de Ocorrência e procurou a OAB-PR. A entidade apresentou o pedido de medida protetiva com base na Lei Maria da Penha.

A presidente da Comissão das Mulheres Advogadas da OAB-PR, Aline Andriolli, afirmou: “É um caso bem emblemático, inclusive sendo a primeira mulher advogada do Paraná a receber a medida protetiva com base nesse entendimento do Supremo. Esse entendimento é fundamental, porque as mulheres conseguem ter uma proteção do Estado, uma proteção jurídica em toda e qualquer situação de violência que venham a sofrer”.

Entendimento do Supremo

Em agosto, o STF ampliou a aplicação das medidas protetivas de urgência previstas na Lei Maria da Penha para situações de violência de gênero fora do contexto doméstico, familiar ou de relação de afeto. Com isso, a proteção pode alcançar casos como assédio, perseguição e sequestro, desde que seja reconhecido que o ato de violência foi baseado no gênero.

Sobre esse alcance, Andriolli explicou: “Às vezes, as mulheres vítimas de violência sofrem em outros ambientes que não são necessariamente um ambiente de violência doméstica, dentro do espaço privado. Há, por exemplo, situações em que o vizinho pode, de repente, cometer um ato, um colega de trabalho pode cometer um ato, enfim, qualquer outra situação que não seja a relação íntima, ou que não seja relação de violência doméstica e familiar”.

A Polícia Civil registrou a ocorrência como tentativa de homicídio simples e coação no curso do processo. Juliano Muniz dos Santos não tem advogado constituído.

Com informações do g1 Paraná

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