Teerã sinaliza ataques a produtores de petróleo, expansão da guerra e revisão de sua postura nuclear
O governo iraniano ameaça uma resposta de alcance regional e global à nova ofensiva econômica dos Estados Unidos. Segundo a CNN, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, anunciou na segunda-feira que Washington mirará uma rede construída pelo Irã para contornar sanções, com penalidades para parceiros comerciais em setores como ativos digitais, tecnologia e transporte marítimo.
A medida amplia sanções secundárias já existentes, mas adia por ora novas punições de grande porte. O anúncio, apelidado de “Dia D econômico” pela administração Trump, foi considerado decepcionante por observadores que esperavam medidas mais contundentes.
Bloqueio do petróleo e ameaça de “terremoto”
Em resposta, o Irã destacou sua capacidade de causar danos recíprocos. O país já impede há meses o uso do Estreito de Ormuz por embarcações, bloqueando uma rota que respondia por um quinto do petróleo global. Agora, militares de alto escalão ameaçam atingir rotas alternativas de transporte de petróleo que contornam o estreito.
“Se a guerra econômica continuar, nem uma única gota de petróleo será exportada, nem pelo Estreito de Ormuz nem de qualquer lugar do Golfo Pérsico”, escreveu Mohsen Rezaei, líder do Conselho Supremo de Segurança Nacional, segundo a CNN. “Retaliaremos de forma avassaladora, como um terremoto”, completou em entrevista televisionada.
A Arábia Saudita já redirecionou cerca de 5 milhões de barris por dia por oleoduto alternativo. O Irã publicou lista de 45 navios-tanque que, segundo Teerã, descumprem suas regras, ameaçando multas, detenção ou confisco.
Expansão geográfica e alvos na Europa
O Ministério das Relações Exteriores do Irã apontou aeronaves de reabastecimento dos EUA que partem da Bulgária, alertando que Teerã poderia atacar o país da União Europeia e membro da OTAN. “O Irã tem o direito legítimo de atacar o ponto de origem e a fonte de qualquer ato de agressão”, disse o porta-voz Esmail Baghaei a repórteres.
“O Irã considerará a participação ou o apoio de qualquer país à guerra econômica dos Estados Unidos contra o povo iraniano como um ato de guerra”, afirmou Rezaei. Ao longo do conflito, o Irã já atingiu 11 países, com ataques também a base britânica em Chipre e demonstração de capacidade de alcançar ilhas no Oceano Índico.
Doutrina nuclear em debate
A morte do líder supremo Aiatolá Ali Khamenei, que proibia armas nucleares, abriu espaço para mudança de narrativa. O parlamento iraniano debate projeto de lei para retirada do Tratado de Não Proliferação Nuclear. Cerca de meia tonelada de urânio altamente enriquecido permanece em solo iraniano.
“Quando a América conduz uma guerra como essa, as pessoas perguntam: por que nós mesmos não deveríamos buscar armas nucleares?”, disse Rezaei à emissora estatal.
Especialistas ouvidos pela CNN avaliam que o Irã combinará adaptação econômica com dissuasão por meio da escalada, pressionando mais atores conforme Washington amplia o bloqueio.
Com informações da CNN Brasil: https://edition.cnn.com/2026/08/27/middleeast/how-iran-could-respond-to-trumps-economic-d-day-intl/