Uso de domínios internacionais mantém plataformas acessíveis no Brasil; 10 mil endereços e 110 canais no Telegram já foram bloqueados
Dez dias depois do fim do prazo dado pelo governo, plataformas de apostas online continuam acessíveis no Brasil. Segundo a CNN Brasil, parte dessas empresas segue operando por meio de domínios internacionais, mesmo após a medida que proibiu a atuação de bets e apostas esportivas no país.
O prazo expirou em 6 de outubro. A medida provisória que determinou a proibição havia sido assinada em 25 de setembro, e, a partir do vencimento, nenhuma plataforma deveria permanecer disponível, seja por navegador ou por aplicativo.
Onde está a brecha
De acordo com o analista de Segurança Pública da CNN, Elijonas Maia, as empresas que operavam com domínio “.br” e eram regulamentadas pelo Ministério da Fazenda deixaram de funcionar dentro do período fixado. O problema, porém, não parou aí: sites com extensões ligadas a outros países, ou com domínios internacionais sem vínculo com uma nação específica, continuaram ativos para usuários brasileiros.
Ao explicar essa diferença no CNN Novo Dia, Elijonas Maia disse: “Apesar de não ser uma empresa do Brasil, atua no Brasil”.
Em levantamento próprio, a CNN identificou pelo menos quatro plataformas nessas condições. Algumas ainda vinham sendo promovidas por influenciadores digitais nas redes sociais, o que mostra que a retirada do ar dos sites com domínio nacional não encerrou a circulação desse mercado no país.
Bloqueio corre atrás
O levantamento foi encaminhado ao Ministério da Justiça, que acompanha essas plataformas por meio do CyberLab, laboratório de inteligência cibernética da pasta, em trabalho conjunto com a Secretaria de Apostas do Ministério da Fazenda.
Segundo Elijonas Maia, a força-tarefa mantém um rastreamento contínuo para pedir o bloqueio internacional desses endereços. Entre 6 de outubro e esta sexta-feira (16), 10 mil sites já haviam sido derrubados. O número, porém, não corresponde necessariamente a 10 mil empresas diferentes, porque uma mesma plataforma pode usar vários endereços para contornar a proibição.
A ação também alcançou o Telegram. O Ministério da Justiça bloqueou 110 canais usados para divulgar essas apostas. Neles, cerca de 1 milhão e 300 mil pessoas recebiam anúncios das plataformas e faziam depósitos.
Nomes não foram divulgados
Os nomes das plataformas identificadas não foram tornados públicos. De acordo com o analista, a decisão decorre do fato de a atividade ser ilegal no Brasil.
O caso expõe uma dificuldade prática da proibição: enquanto o bloqueio alcançou os sites com domínio “.br”, empresas com estrutura fora desse alcance continuam chegando ao público brasileiro e exigem uma ação internacional para sair do ar.
Com informações da CNN Brasil
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