Com 5.985 estabelecimentos, atividade respondeu por 35,8% do PIB industrial paranaense em 2024 e passou de US$ 8,6 bilhões em exportações em 2025
A indústria de alimentos e bebidas do Paraná chegou a aproximadamente 265,9 mil trabalhadores empregados até agosto de 2025 e mantém presença decisiva na economia do estado. Segundo o Bem Paraná, com base em dados do Novo Caged, da RAIS, do IBGE e do Comex Stat, o segmento reúne 5.985 estabelecimentos, respondeu por 35,8% do PIB industrial paranaense em 2024 e ultrapassou US$ 8,6 bilhões em exportações em 2025.
Neste 16 de outubro, Dia Mundial da Alimentação, os números ajudam a mostrar o peso de uma atividade que liga a produção agropecuária à indústria e ao consumo. Além do volume de empregos, o setor vem incorporando tecnologia, automação e inovação para elevar a produtividade e melhorar etapas da produção.
Para o coordenador do Conselho Setorial de Alimentos e Bebidas da Fiep, Daniel Kummel, esse movimento faz parte do fortalecimento da atividade. “A indústria de alimentos tem uma participação muito relevante na economia do Paraná e, para continuar crescendo de forma competitiva, precisa investir permanentemente em produtividade. Automação, digitalização e inovação permitem aprimorar processos, reduzir perdas, ampliar a qualidade e produzir mais, ao mesmo tempo em que transformam o perfil dos profissionais demandados pelas empresas”, afirma.
Como a tecnologia entra na produção
Dentro das fábricas, a modernização aparece em diferentes fases, da seleção e preparação das matérias-primas ao processamento, controle de temperatura, envase, embalagem, inspeção de qualidade, armazenamento e movimentação interna. Equipamentos automatizados, sensores e sistemas de monitoramento são parte desse processo, ao lado do acompanhamento digital de indicadores de produção.
Esse avanço também responde a uma dificuldade apontada para o setor produtivo: encontrar profissionais qualificados para determinadas funções. A automação ajuda a atender parte dessa demanda, especialmente em tarefas repetitivas ou que pedem maior precisão, e ao mesmo tempo abre espaço para novas atividades ligadas à operação, supervisão e manutenção de equipamentos e sistemas mais sofisticados.
Kummel resume esse efeito em uma segunda avaliação. “Quando a indústria investe em tecnologia, ela não está apenas modernizando uma linha de produção. Está criando condições para ser mais eficiente, competitiva e sustentável. Ao mesmo tempo, surgem novas funções e aumenta a necessidade de qualificação profissional. Tecnologia e pessoas precisam avançar juntas para que o setor aproveite todo o seu potencial”, acrescenta.
Uma rede que vai além da fábrica
O peso econômico da indústria de alimentos e bebidas também aparece na quantidade de atividades conectadas a ela. Ao longo da cadeia estão fornecedores de máquinas e equipamentos, embalagens, energia, logística, tecnologia, serviços e distribuição.
Na prática, a indústria transforma a vocação agropecuária do Paraná em produtos com maior valor agregado. Carnes, peixes, grãos, leite e outras matérias-primas passam por processamento antes de chegar aos mercados brasileiro e internacional, o que amplia renda e oportunidades em diferentes etapas.
A diversidade do setor inclui ainda a alimentação animal, que atende tanto o mercado de pets quanto a produção pecuária, e os alimentos funcionais, impulsionados pela busca do consumidor por itens ligados a saúde, bem-estar, praticidade e qualidade.
Para Kummel, essa amplitude ajuda a explicar o alcance do segmento no estado. “Quando falamos em indústria de alimentos, estamos falando de uma cadeia muito diversa, que está presente na rotina das pessoas e, ao mesmo tempo, tem enorme impacto econômico. É uma indústria que valoriza as origens do Paraná, transforma matérias-primas, gera empregos, incorpora tecnologia e leva produtos do estado para consumidores no Brasil e no mundo”, destaca o coordenador do Conselho.
Com informações do Bem Paraná