Pesquisador explica doença rara que acomete Lito Sousa

Criador de conteúdo revelou ser portador de doença degenerativa sem tratamento disponível. Pesquisador da Unesp detalha sintomas, prognóstico e desafios da pesquisa.

Pesquisador explica doença rara que acomete Lito Sousa
Homem de cabelos escuros e barba grisalha sorri enquanto está deitado em cama com travesseiros brancos. Foto: Reprodução / CNN Brasil

Falta de financiamento dificulta estudos sobre a síndrome de Creutzfeldt-Jakob

O criador de conteúdo Lito Sousa anunciou, nesta semana, ser portador da doença de Creutzfeldt-Jakob, uma condição degenerativa rara e de rápida progressão que ainda não possui tratamento disponível. O caso repercutiu nas redes sociais e reacendeu discussões sobre a síndrome, que afeta cerca de uma a duas pessoas por milhão a cada ano, segundo dados do CDC e da OMS citados pelo pesquisador Vitor Valenti, da Unesp, à CNN Brasil.

A doença se manifesta inicialmente por dificuldades de movimentação, problemas para andar e perda de equilíbrio. Valenti relatou que, em 2021, a Unesp analisou um caso semelhante em Marília, interior de São Paulo, envolvendo um homem de 77 anos. O diagnóstico só foi confirmado após testes específicos na Grande São Paulo, que identificaram a presença de um príon da família das proteínas 14-3-3, consideradas importantes para o funcionamento do cérebro.

Financiamento limitado

A raridade da doença representa um dos principais obstáculos para o desenvolvimento de tratamentos. “Existe um financiamento para a pesquisa muito pequeno, diferentemente de quando a gente pensa em doenças que afetaram o mundo inteiro, como a Covid-19”, comparou Valenti.

Por não contar com investimento robusto e direcionado, as pesquisas atualmente se concentram em identificar as origens da doença. A transmissão genética explica apenas 10% a 15% dos casos. “A maioria dos casos não tem uma origem identificada”, afirmou o pesquisador.

Cuidados paliativos

No momento, o tratamento se restringe a cuidados paliativos. “O foco é diminuir a dor do paciente e dar conforto à família, porque não é apenas o paciente que sofre com essa doença”, explicou Valenti.

A progressão rápida dos sintomas de Lito Sousa é compatível com o descrito na literatura científica. Segundo o CDC, o intervalo médio entre o início dos sintomas e o óbito é de cinco a seis meses. Valenti confirmou que a parte cognitiva do criador de conteúdo permanece preservada: “Ele tem memória preservada, consegue aprender novas coisas e raciocinar”.

A identificação das causas da doença é considerada o passo necessário para o desenvolvimento futuro de terapias efetivas.

Com informações da CNN Brasil: https://www.cnnbrasil.com.br/saude/lito-sousa-ha-pouco-financiamento-para-estudar-a-doenca-diz-pesquisador/