Mudança atinge empregos hoje enquadrados na escala 6×1, que somavam 14,8 milhões no país em dezembro de 2025.
A promulgação da PEC que acaba com a escala 6×1 abre um período de transição para trabalhadores com carteira assinada no país. Segundo o Bem Paraná, a mudança foi promulgada pelo Congresso Nacional nesta sexta-feira (16) e prevê adoção do modelo 5×2, com dois dias de descanso remunerado por semana e sem redução de salário.
A alteração também mexe no limite da jornada semanal. Hoje fixada em 44 horas, ela cairá primeiro para 42 horas. Depois de 12 meses, passará a 40 horas. A nova escala entra em vigor 60 dias após a promulgação e a publicação da emenda.
Em dezembro de 2025, o Brasil tinha 14,8 milhões de empregos com carteira assinada na escala 6×1, de acordo com dados do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) analisados pelo economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4intelligence. Esse volume representava 29,9% dos 49,5 milhões de vínculos formais registrados no período.
O total é superior à população inteira do Paraná, de 11,9 milhões de habitantes, e também à da cidade de São Paulo, ainda conforme os dados citados. Imaizumi afirma que o contingente é relevante, mas observa que o mercado de trabalho brasileiro é mais amplo e reúne mais de 100 milhões de pessoas ocupadas.
Pelos números mais recentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o país tinha 103,5 milhões de ocupados no trimestre até agosto deste ano. Nesse grupo entram não só empregados com carteira, mas também informais sem carteira, trabalhadores por conta própria, empregadores, funcionários públicos e auxiliares familiares.
Onde a mudança pesa mais
A presença da escala 6×1 não se distribui da mesma forma entre os setores. Na análise de Imaizumi, ela aparecia com mais força em atividades ligadas ao turismo. Em dezembro, o transporte aéreo tinha 53,2% dos empregados formais nesse regime, e o alojamento, 52%. Em eletricidade e gás, o índice era de 11,8%.
Imaizumi afirmou: “Os efeitos são complexos e heterogêneos. É difícil conseguir homogeneizar uma situação que é bem diferente entre os setores”.
Na mesma análise, ele acrescenta: “Transporte aéreo, por exemplo, é um setor bastante formalizado. Provavelmente, terá mais emprego para compensar as horas trabalhadas a menos e, consequentemente, repasse para os preços. É mais emprego e mais inflação”.
Entre os portes de empresa, micro negócios e pequenos negócios tinham proporções maiores de vínculos formais na 6×1, com 34,5% e 36,2%, respectivamente. Nas médias e grandes empresas, o percentual era de 32,9%. Em números absolutos, porém, o maior volume estava justamente nesse grupo, com 7,9 milhões de empregos.
Diferença entre contrato e horas trabalhadas
Outro ponto destacado por Imaizumi é a distância entre a carga prevista nos contratos e o que os trabalhadores efetivamente cumprem. Em 2025, 73,8% dos ocupados com carteira assinada tinham vínculos de 41 a 44 horas semanais, segundo registros da Rais, do MTE.
Já no primeiro trimestre de 2026, dados do IBGE mostravam que somente 35,8% trabalhavam de fato essa quantidade de horas. A maior parcela, de 39%, estava na faixa de 31 a 40 horas semanais.
Para o economista, esse quadro pode reduzir parte do impacto prático da mudança. Nas palavras dele: “A mensagem principal é a discrepância entre o que está no contrato e o que está sendo efetivamente trabalhado”. Ele completa: “Boa parte desses trabalhadores não trabalha, mesmo com o contrato, 44 horas. Então, os efeitos [do fim da 6×1] tendem a ser menores.”
Com informações do Bem Paraná
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