Entre as obras está uma imagem de Jesus Cristo reconhecida pelo Peru como patrimônio cultural e anunciada em plataforma internacional de arte.
Uma operação da Polícia Federal apreendeu 14 pinturas no Rio de Janeiro nesta quarta-feira, 30. Entre elas está Magnífico Señor de los Temblores – Escuela Cusqueña, Siglo XVII, obra que retrata Jesus Cristo e é reconhecida pelo Peru como parte de seu patrimônio cultural, segundo o TNOnline.
A ação recebeu o nome de Operação Peabiru e também recolheu documentos e dispositivos eletrônicos. De acordo com a PF, o objetivo é esclarecer como a pintura foi adquirida, qual sua origem, de que forma teria sido transportada e importada para o Brasil e em que circunstâncias foi oferecida à venda.
O caso começou depois de uma comunicação oficial da Polícia Nacional do Peru às autoridades brasileiras. Segundo a PF, a obra classificada como patrimônio foi identificada em anúncio publicado em uma plataforma internacional de comércio de obras de arte.
A investigação da Polícia Federal apontou elementos que ligam o anúncio a uma empresa sediada no Rio de Janeiro, voltada ao comércio de artes e antiguidades. A partir disso, os agentes localizaram a pintura e apreenderam outras 13 obras.
O que está sob apuração
Os investigadores apuram os crimes de receptação qualificada e contrabando. A PF informou ainda que a apuração pode alcançar outras infrações penais eventualmente relacionadas aos fatos.
Além da investigação criminal, o caso envolve compromissos internacionais de proteção a bens culturais. A PF considera, no inquérito, as obrigações assumidas pelo Brasil a partir da Convenção da UNESCO de 1970.
O que diz a análise peruana
Conforme análise técnica do Ministério da Cultura do Peru, a pintura é do período em que o país era um vice-reinado espanhol no século XVII. O órgão peruano atribui à obra relevante valor histórico e artístico.
Ainda segundo essa análise, a peça integra o Patrimônio Cultural da Nação Peruana. Por isso, não poderia ter deixado o território do Peru sem autorização estatal específica.
Origem do nome da operação
Para batizar a operação, a Polícia Federal usou como referência o Caminho de Peabiru. A rota histórica ligava a costa do Oceano Atlântico à região dos Andes antes da chegada dos europeus à América do Sul.
Segundo a PF, esse caminho era usado para a circulação de diferentes bens entre povos indígenas.
Com informações do TNOnline