OpenAI restringe acesso inicial ao GPT-6 Astra

GPT-6 Astra começou com acesso limitado e foi enquadrado pela OpenAI como modelo crítico em cibersegurança por sua capacidade de achar falhas.

Um smartphone exibe a tela inicial do ChatGPT da OpenAI com texto e botões de acesso
Um smartphone exibe a tela inicial do ChatGPT da OpenAI com texto e botões de acesso. Foto: Reprodução / CNN Brasil

Novo modelo foi classificado pela empresa em nível crítico para cibersegurança e será liberado gradualmente para assinantes e empresas.

O GPT-6 Astra começou a ser liberado pela OpenAI na última quinta-feira (3), mas, neste primeiro momento, ficou disponível apenas para um grupo limitado de empresas. Segundo a CNN Brasil, a empresa informou que o acesso será ampliado gradualmente nos próximos dias para usuários dos planos ChatGPT Plus, Pro, Business e Enterprise, além da API e de outras plataformas.

A liberação restrita veio junto de um ponto central do anúncio: a OpenAI classificou o novo modelo como seu primeiro sistema em nível crítico na área de cibersegurança. A empresa afirma que o Astra demonstrou capacidade suficiente para representar um risco relevante nesse campo, especialmente por conseguir encontrar vulnerabilidades e desenvolver formas de explorá-las com alto grau de autonomia.

No anúncio oficial do modelo, a OpenAI descreveu o sistema assim: “O GPT-6 Astra reúne anos de pesquisa e grandes apostas em pré-treinamento, aprendizado por reforço e alinhamento. O Astra representa o estado da arte em uso de computadores, navegação na web, engenharia de software, cibersegurança, ciência e trabalho profissional”.

O que pesou na classificação

De acordo com a OpenAI, os testes indicaram que a ferramenta pode ser usada por pessoas mal-intencionadas para localizar brechas em sistemas, com potencial de uso em roubo de dados e outras ações desse tipo. A empresa também apontou que o modelo não se limitou a reconhecer falhas já conhecidas, mas encontrou vulnerabilidades que ainda não haviam sido documentadas por especialistas em segurança.

Em um dos testes citados, o Astra identificou falhas em um navegador, contornou as proteções e executou comandos no computador. Em outra avaliação, localizou vulnerabilidades em um sistema operacional e conseguiu mudar o nível de um usuário comum para acessar os privilégios mais altos do sistema.

A OpenAI resumiu esse enquadramento em uma frase do anúncio: “É o primeiro modelo que classificamos nesse nível e exige proteções mais robustas durante o desenvolvimento e antes do lançamento”.

Medidas de proteção

Apesar desse alerta, a empresa afirma que o modelo não vai começar a agir por conta própria para atacar sistemas. O que os testes mostraram, segundo a OpenAI, foi a capacidade de descobrir vulnerabilidades e criar meios de explorá-las sem depender de orientação constante em cada etapa.

Como resposta, a empresa diz ter reforçado o Astra com camadas adicionais de proteção. O modelo foi treinado para recusar pedidos ligados à descoberta e à exploração de falhas em sistemas, e atividades interpretadas como potencialmente perigosas podem ser desaceleradas, pausadas ou interrompidas automaticamente.

A própria OpenAI reconhece que esse bloqueio pode atingir usos permitidos. No texto do anúncio, a empresa acrescenta: “O sistema pode ocasionalmente sinalizar atividades legítimas como possível uso cibernético indevido ou comportamento não autorizado, fazendo com que sejam desaceleradas, pausadas ou interrompidas por engano”.

Comparação com o modelo anterior

Os testes citados pela empresa também colocam o GPT-6 Astra acima do GPT-5.6 Sol, atualmente descrito no texto como o modelo mais avançado do ChatGPT. Em solicitações consideradas proibidas no campo da cibersegurança, o Astra recusou mais de 90% dos pedidos, enquanto o GPT-5.6 Sol recusou 59%.

Segundo a OpenAI, essa diferença também tem relação com o fato de o novo sistema ter capacidades mais avançadas, o que exige mecanismos de proteção mais rígidos. Após o anúncio, houve reclamações nas redes sociais de usuários que esperavam acesso imediato ao modelo.

Com informações da CNN Brasil