Mendonça pede manifestação da PGR sobre mensagens

Ministro do STF enviou à PGR documento da PF com mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro e deu cinco dias para manifestação.

Um homem de terno escuro e camisa clara com os braços cruzados em frente a colunas
Um homem de terno escuro e camisa clara com os braços cruzados em frente a colunas. Foto: Reprodução / Bem Paraná

Documento da PF cita conversas atribuídas a Daniel Vorcaro com menções a Paulo Gonet e Andrei Rodrigues; prazo é de cinco dias.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, pediu que a Procuradoria-Geral da República se manifeste sobre um documento da Polícia Federal com mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo o Bem Paraná, o material reúne conversas em que Vorcaro pede a um interlocutor atuação de “Andrei e Paulo” a seu favor. As referências seriam a Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, e a Paulo Gonet, procurador-geral da República.

Mendonça fixou prazo de cinco dias para a manifestação da PGR. De acordo com a investigação, a pessoa que recebeu a mensagem não havia sido identificada inicialmente, mas a Polícia Federal aponta suspeita de que o interlocutor seja o ministro Alexandre de Moraes.

A reportagem da fonte informou que procurou, às 9h40 desta terça-feira (1º), as assessorias de Andrei Rodrigues, Paulo Gonet e Alexandre de Moraes, por mensagem, mas não havia resposta até a publicação.

O que dizem as mensagens

A investigação cita uma série de trocas de mensagens feitas por Vorcaro a partir de 30 de outubro do ano passado. Ele foi preso em 17 de novembro, quando se preparava para embarcar em um voo ao exterior. No dia seguinte, o Banco Central liquidou o Banco Master.

Em um dos diálogos analisados pela PF, Vorcaro afirma ter recebido “informações informais e em confidência de turma do Banco Central” de que “G” — a suposição é de que seja Gabriel Galípolo, presidente do BC — e os diretores estariam “na pressão máxima de novo pra uma medida”. Na mesma conversa, ele diz que o Banco Central sofria pressão da PF e do Ministério Público para adotar providências contra ele.

Ainda na mensagem, Vorcaro afirma ter colocado R$ 800 milhões no Master e diz que, na semana seguinte, deveriam entrar mais R$ 400 milhões. Ele escreveu: “É importante reforçar com Andrei e Paulo pra não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem que aí vai tudo pro saco. Estou disponível para tratar e explicar qualquer coisa, só não pode ter sacanagem. Vou te mandar os nomes que tem ido ao Bacen alegando que farão algo em breve.”

Outra mensagem, divulgada pelo jornal O Estado de S.Paulo e citada no material, teria sido enviada na véspera e indica que ele seria alvo de operação. No texto, Vorcaro diz: “Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possível”.

Relação com Moraes e contrato do escritório

O texto também menciona informação publicada pelo jornal O Globo, em março, de que Vorcaro trocou mensagens de WhatsApp com Alexandre de Moraes ao longo do dia em que foi preso pela primeira vez. A informação, segundo a fonte, foi confirmada pela reportagem.

Nas conversas extraídas do celular de Vorcaro, ele relata negociações para tentar salvar o Master e menciona tratativas com a financeira Fictor. Em uma das mensagens, afirma: “Estou tentando antecipar os investidores e tenho chances de conseguir assinar e anunciar ainda hoje uma parte”. Mais tarde, às 17h22, escreveu: “Fiz uma correria aqui pra tentar salvar. Fiz o que deu, vou anunciar parte da transação”. Naquele momento, um comunicado sobre a transação foi enviado à imprensa.

À época, Moraes disse que “não recebeu essas mensagens” citadas em reportagens. Segundo a declaração reproduzida no texto-fonte, “Trata-se de ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o Supremo Tribunal Federal”.

O material também aborda o contrato entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, de Viviane Barci de Moraes. Em nota, o escritório informou que, “em virtude da abrangência do pedido de contratação de prestação de serviços advocatícios pelo Banco Master”, o setor de compliance pediu informações a Alexandre de Moraes, “na condição de marido da sócia diretora do referido escritório”, sobre eventual existência de impedimentos legais.

Na mesma nota, o escritório afirmou que, diante da inexistência de previsão de atuação no STF ou de impedimento legal, o contrato foi assinado e os serviços foram prestados. O escritório admitiu manter contrato com o Master entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, mês da liquidação do banco, o que equivale, segundo o texto, a 11 meses de serviços prestados em cada um dos anos. O contrato previa pagamento de R$ 129 milhões em três anos, com parcelas mensais de R$ 3,6 milhões.

Com informações do Bem Paraná