Servidor está fora das funções desde 8 de julho, é réu em processo sob sigilo e a prefeitura afirma que o pagamento ocorre por determinação judicial.
A Prefeitura de Itaúna do Sul manteve o pagamento do salário do médico Rodrigo Felipe Amparado mesmo após o afastamento das funções, iniciado em 8 de julho. Segundo o g1 Paraná, o Portal da Transparência do município mostra repasses regulares ao servidor ao longo de 2026. Em setembro, por exemplo, ele recebeu vencimento bruto de R$ 10.717,03, com R$ 2.967,40 após os descontos.
Rodrigo Felipe Amparado é médico concursado e virou réu por ameaça, dano emocional à mulher, perseguição, tortura e peculato. De acordo com o Ministério Público do Paraná, ele usou de forma irregular uma sala desativada do Hospital Municipal de Itaúna do Sul, no Norte do Paraná, para montar um quarto, e também ameaçava funcionários que contrariavam suas decisões.
A promotora de Justiça Marina Campos Corrêa informou à RPC que “todo mundo tinha realmente muito medo dele”. Em um dos trechos divulgados pelo MP, consta que “[…] ele teria ameaçado torturar a filha da secretária e matar seu marido, chegando, em uma das ocasiões, a exibir uma arma de fogo na cintura ao procurar o familiar da vítima”.
O que diz a prefeitura
Em nota enviada ao g1, a Prefeitura de Itaúna do Sul confirmou que o médico continua recebendo salário e atribuiu a medida ao cumprimento de decisão judicial. O município também informou que há um processo administrativo em andamento para apurar a atuação do servidor, ainda sem conclusão.
Na íntegra, a prefeitura afirmou: “A Prefeitura de Itaúna do Sul informa que o médico e servidor municipal Rodrigo Felipe Amparado permanece afastado de suas funções, por tempo indeterminado, em cumprimento a determinação judicial. A apuração administrativa relacionada ao caso também segue regularmente em curso. A remuneração legalmente devida ao cargo efetivo continua sendo paga por obrigação jurídica, e não por decisão discricionária do Município. Conforme entendimento consolidado do Supremo Tribunal Federal, o afastamento cautelar em razão de processo criminal não autoriza a supressão dos vencimentos antes de decisão definitiva. O Município permanece cumprindo rigorosamente as determinações judiciais e adotando as providências administrativas cabíveis, com responsabilidade, transparência e respeito à legalidade.”
O Ministério Público foi questionado sobre a decisão, mas informou que “em razão do sigilo judicial, não é possível fornecer informações detalhadas sobre o caso, incluindo questões relativas às medidas cautelares, à situação funcional do réu e à remuneração, nem antecipar informações sobre as próximas etapas processuais”.
Como começou a apuração
A investigação foi conduzida entre março e maio de 2026, após denúncias feitas por servidores municipais ao MP. Os relatos tratavam da apropriação do espaço dentro do hospital para uso particular e das ameaças dirigidas a funcionários.
Segundo o MP, a secretária municipal de Saúde começou a corrigir parte das irregularidades encontradas, e depois passou a ser perseguida pelo médico, assim como familiares dela. Além disso, Rodrigo também é investigado por tortura contra criança e adolescente, mas os detalhes desse ponto não foram divulgados.
Rodrigo foi preso preventivamente em 17 de junho. O Departamento de Polícia Penal do Estado do Paraná confirmou ao g1 que o regime fechado foi trocado por tornozeleira eletrônica em 4 de julho. A defesa informou ao g1 que “todas as determinações judiciais relativas ao caso estão sendo devidamente cumpridas, em estrita observância às decisões proferidas pela Justiça”.
O quarto no hospital
De acordo com o MP, o médico instalou no centro cirúrgico desativado uma cama, um guarda-roupas e uma televisão. No local, também foram encontrados camisetas, cobertores, itens pessoais, uma toalha com o nome dele bordado e um massageador. Enquanto isso, os demais médicos usavam uma sala compartilhada.
Maiara, esposa de Rodrigo, também responde como ré por peculato, prevaricação e tortura. Ela trabalhava como diretora do Departamento de Enfermagem e, segundo o MP, dormia com o marido no cômodo durante os plantões. Ela foi exonerada em 29 de junho.
O médico também atende no Hospital Municipal de Nova Londrina. Nesse caso, o g1 informou que não há registro de irregularidades ou crimes ligados à atuação dele na unidade. Ainda assim, ele segue recebendo salário e aparece como afastado por atestado médico.
Com informações do G1 Paraná