Grandes varejistas fecham 1,1 mil lojas em três anos

Cinco gigantes do varejo brasileiro reduziram em mais de 1,1 mil unidades físicas desde 2022, segundo levantamento da Broadcast.

Grandes varejistas fecham 1,1 mil lojas em três anos
Carrinho de compras em miniatura sobre recibos, simbolizando o fechamento de lojas físicas. Foto: Reprodução / CNN Brasil

Americanas, Casas Bahia, Carrefour, Marisa e Magalu encolhem rede física enquanto vendas online crescem 21%

Cinco das maiores redes varejistas do país encolheram drasticamente nos últimos três anos. Desde o fim de 2022, Casas Bahia, Americanas, Carrefour, Marisa e Magazine Luiza fecharam, no saldo líquido, mais de 1,1 mil lojas, segundo levantamento da Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, divulgado pela CNN Brasil.

O movimento não é uniforme. Cada empresa carrega motivos distintos para a redução, mas todas compartilham o mesmo cenário: juros altos, crédito restrito e rentabilidade pressionada tornaram insustentáveis estruturas construídas para outro momento do consumo.

A Casas Bahia lidera o corte. A companhia passou de 1.133 lojas no fim de 2022 para 1.034 em junho deste ano, quando anunciou mais 298 fechamentos. Se executado, o plano reduzirá a rede em cerca de 400 pontos em menos de quatro anos. A decisão está atrelada à recuperação judicial: R$ 17,3 bilhões em dívidas obrigaram a priorizar caixa e rentabilidade. O presidente Renato Franklin já descartou retomada do crescimento nos próximos dois anos.

Reestruturação sob pressão

A Americanas percorreu trajeto semelhante após a crise contábil de janeiro de 2023. A rede caiu de 1.803 para 1.470 lojas entre o fim de 2022 e dezembro de 2025. A estratégia foi concentrar operação nos pontos de maior potencial de retorno durante a recuperação judicial.

No Carrefour, a redução de 203 lojas acompanhou a integração do Grupo BIG, com 123 unidades definitivamente encerradas. A Marisa fechou 104 pontos, incluindo uma de suas principais vitrines na Avenida Paulista, após 15 anos. A companhia terminou 2025 com 230 lojas, ante 334 em 2022.

O Magazine Luiza completa a lista com queda de 93 unidades, de 1.339 para 1.246 lojas. Aqui, porém, o movimento foi de disciplina financeira, não de abandono do físico: após três anos sem inaugurações, a rede anunciou retomada da expansão no segundo semestre deste ano. No segundo trimestre, as vendas físicas cresceram 10,3%, enquanto o e-commerce recuou 11,9%.

O digital expõe fragilidades

Para Ana Paula Tozzi, especialista em varejo e CEO da AGR Consultores, o avanço das vendas online não matou a loja, apenas tornou mais visíveis problemas estruturais. “O digital não matou a loja. Ele expôs mais rapidamente as fragilidades das cadeias com problemas”, afirma.

As vendas online movimentaram R$ 423 bilhões em 2025, alta de 21%, e passaram a representar 14,4% do varejo brasileiro, segundo estimativas do UBS BB. Os quatro maiores participantes — Mercado Livre (43%), Shopee (18%), Amazon (11%) e Magazine Luiza (10%) — concentravam 82% desse mercado. O Magalu perdeu 2,7 pontos porcentuais de participação.

O BTG Pactual destaca que plataformas internacionais intensificaram pressão em categorias onde as redes nacionais tinham presença forte, como acessórios eletrônicos, beleza, decoração e artigos esportivos.

Nem todas as empresas encolhem. Assaí e Grupo Mateus acrescentaram 131 unidades desde 2022. C&A e Grupo Renner somaram outras 60. A diferença, segundo Tozzi, está na seleção de mercados e no retorno de cada unidade: “Uma companhia pode ficar melhor com 500 lojas excelentes do que com 800 unidades, sendo 300 delas destruidoras de valor.”

Fechar lojas deficitárias reduz despesas, mas não resolve dívidas excessivas, margens baixas ou falhas no modelo de negócio. “É uma medida de eficiência, não uma estratégia de recuperação por si só”, resume a especialista.

Com informações da CNN Brasil