Diego Araújo, de História, diz que interesse por simbologia é acadêmico e se define como marxista
O estudante de História Diego Costa da Silva Araújo, de 25 anos, negou ser nazista em entrevista concedida três dias depois de ser espancado dentro da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Segundo a CNN Brasil, o jovem afirmou que nada do que lhe é atribuído corresponde à realidade e que seu interesse pelo tema é estritamente acadêmico.
Diego foi agredido na noite de terça-feira (25) no campus da instituição no Centro do Rio de Janeiro. Ele usava uma camiseta da banda punk Death in June e um broche com uma suástica cortada por um sinal de proibido. Outros alunos tentaram acionar a segurança para removê-lo do local. A situação escalou para agressões físicas que incluíram socos, tapas e chutes nas escadas e áreas internas e externas do prédio.
O que diz o estudante
Questionado sobre seu posicionamento político, Diego disse ser “de esquerda, esquerda marxista”. Ele explicou que estuda a iconografia nazista e o fascismo como fenômeno social. “Entendo que o fascismo é uma coisa camaleônica. É até difícil apontar exatamente o que é fascismo, porque ele bebe de diversas fontes que são contraditórias entre si”, afirmou.
Sobre a camiseta, ele argumentou que a caveira estampada não é o símbolo da SS nazista, mas uma versão modificada baseada em crânio neandertal. Quanto ao broche, disse que a suástica com o sinal de proibido demonstrava posição antinazista. “Eu estava negando este símbolo”, declarou.
Diego também negou participação em grupos extremistas. “Eu não possuo qualquer histórico de participar de grupo Redpill, de Telegram, de Discord, de grupos extremistas. Não faço parte de nada disso. Nunca tive contato com esses grupos dessa forma, apenas como um observador para entender os seus pensamentos”, disse.
Consequências e investigações
O estudante relatou ainda sentir dores e apatia devido ao trauma. “Foi um trauma tão forte que eu sinto que meu corpo e a minha mente estão desconectados. Eu não consigo comer, eu não consigo dormir”, afirmou na entrevista ao jornalista Pedro Doria, no YouTube. Ele classificou o episódio como tentativa de homicídio e negou ter proferido xingamentos racistas.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga o caso. Agentes analisam imagens de celulares de testemunhas e realizam diligências para ouvir os envolvidos, tanto sobre a acusação de apologia ao nazismo quanto sobre as agressões físicas.
A UFRJ e a direção do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) abriram comissão de sindicância. Em nota, a reitoria repudiou “veementemente qualquer tipo de apologia ao nazismo, ao fascismo, ao racismo, ao antissemitismo e a qualquer forma de intolerância ou discriminação”. A instituição afirmou não admitir agressões físicas como resposta a provocações e destacou que o ambiente acadêmico deve priorizar a convivência democrática. Reuniões com a comunidade estudantil foram intensificadas para evitar novos conflitos.
Com informações da CNN Brasil