Clube abriu nesta quinta-feira, 1º, o registro de candidaturas para a disputa de 28 de novembro, mas o presidente do Conselho diz que a votação pode nem ocorrer.
Marcada para 28 de novembro, a eleição presidencial do Corinthians entrou no calendário com incerteza sobre sua realização. Segundo o TNOnline, o clube abriu nesta quinta-feira, 1º, o registro de candidaturas, com prazo até 15 de outubro, enquanto uma ação na Justiça de São Paulo mantém em aberto a possibilidade de intervenção na administração.
O processo tramita na 13ª Vara Cível de São Paulo e pede o afastamento da diretoria, além da nomeação de um interventor temporário para conduzir o Corinthians e convocar nova eleição. A ação cita alegadas irregularidades financeiras e administrativas na atual gestão. A liminar de urgência foi negada, e o Ministério Público se manifestou contra uma intervenção imediata, mas o caso continua em andamento.
Para o presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior, o cenário ainda exige cautela. Em encontro com jornalistas, ele afirmou: “Tem muita situação correndo. Por isso, falei que, no papel do (presidente da diretoria) Osmar (Stabile), eu faria um gesto para o Ministério Público, porque é o papel institucional de quem manda, de quem é o presidente”.
Tuma Jr. disse que o presidente deveria propor ao MP um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com mudanças defendidas pelos promotores Luiz Ambra Neto e André Paschoal, responsáveis pelo inquérito da intervenção. Na mesma fala, declarou: “Acho que esse era o momento de falar: Vamos passar a régua aqui e tal, vota o estatuto, se compromete com as coisas que aqueles que querem intervenção porque não acreditam mais no sistema e nos poderes internos.”
O que pode acontecer
Ao comentar uma eventual decisão favorável à intervenção, o dirigente afirmou não saber quem assumiria o comando do clube. Segundo ele, isso dependeria do alcance da medida judicial.
Na mesma ocasião, Tuma Jr. disse: “Depende do alcance da intervenção. Pode ser um interventor geral, que vai intervir no clube e no Conselho. Difícil uma intervenção que abranja todos os órgãos, porque, como é uma associação, o interventor pode eventualmente ter poderes para paralisar qualquer deliberação”.
Ele também afirmou: “É óbvio que, se houver uma intervenção, algumas deliberações vão ficar paralisadas. Mas acho que vai haver intervenção quando o Conselho extinguir o Conselho. Quem elege o Conselho são os associados. Se houver intervenção, porém, todas as ações serão pautadas pelos poderes estabelecidos para o interventor”.
Reforma do estatuto ficou suspensa
No centro da disputa também está a Assembleia-Geral de sócios prevista para 19 de setembro, que discutiria alterações no estatuto. Entre os pontos estavam a abertura de voto nas eleições para integrantes do programa Fiel Torcedor e a definição da regra para interinidade em casos de vacância e transição. De acordo com o texto, essa mudança poderia permitir que Osmar Stábile disputasse a reeleição neste ano.
A assembleia, porém, foi suspensa por liminar da Justiça de São Paulo. A decisão atendeu a recurso apresentado pelos conselheiros vitalícios Ademir de Carvalho Benedito, Alexandre Husni e Guilherme Strenger, que alegam afronta ao regimento do clube porque a proposta completa já havia sido rejeitada anteriormente.
Sobre esse ponto, Tuma Jr. declarou: “Qual é o âmago da discussão da reforma? Quem entrou com o pedido de intervenção: o Cássio Conserino (promotor do MP responsável por investigar o Corinthians). Foram apontados vários aspectos, alguns reais e outros que não eram verdadeiros. Com o tempo, porém, alguns foram se tornando verdadeiros, foram acontecendo”.
Pré-candidatos e crise financeira
Até agora, cinco nomes já se colocaram como pré-candidatos à presidência: Sérgio Janikian, André Negão, Rozallah Santoro, André Castro e José Augusto Mendes. Ainda não está definido se Osmar Stábile poderá concorrer à reeleição.
O cenário eleitoral ocorre em meio à crise financeira do Corinthians, citado na reportagem com dívida de R$ 2,8 bilhões. Ao defender sua atuação no Conselho Deliberativo, Tuma Jr. afirmou: “Hoje, no Corinthians, existe uma cobrança grande por causa dos meus atos como presidente do Conselho. Isso demonstra que eu estou certo. A gente tem agido corretamente. Eu não fiz nada que desabonasse minha conduta. Só fiz coisas para criar controle e efetividade no que manda o Estatuto e propus mudanças no Estatuto. Se a gente tivesse avançado nas coisas que estávamos procurando, não estaríamos na situação em que estamos hoje”.
Com informações do TNOnline