Em 2022, um ex-policial militar foi condenado a 57 anos e um mês por assassinato de ex-esposa cometido em frente aos filhos, na porta de escola.
Um ex-policial civil que já era alvo de mandado de prisão preventiva antes do crime foi condenado em Curitiba a 57 anos e um mês de prisão por matar a ex-esposa Suellen Rodrigues em 2022, diante dos dois filhos do casal. Segundo o g1 Paraná, Jaminus Quedaros de Aquino foi sentenciado por homicídio qualificado após julgamento no Tribunal do Júri.
A sessão começou na manhã de terça-feira (13) e terminou na madrugada desta quinta-feira (15). O réu foi condenado com as qualificadoras de feminicídio, motivo torpe, meio que resultou perigo comum e recurso que dificultou a defesa da vítima.
Suellen Helena Rodrigues tinha 29 anos quando foi morta a tiros em 31 de outubro de 2022. O assassinato aconteceu em frente à Escola Municipal Professora Donatilla Caron dos Anjos, no bairro Uberaba, em Curitiba, no momento em que ela deixava os filhos, de 10 e 7 anos, no primeiro dia de aula.
Imagens de câmeras de segurança, de acordo com a apuração da polícia citada pelo g1 Paraná, mostraram o homem se aproximando correndo, falando rapidamente com Suellen e atirando em seguida. Ela morreu no local. As crianças foram acolhidas pelo Conselho Tutelar e depois encaminhadas aos familiares.
Depois do crime, Jaminus fugiu e se apresentou à polícia quatro dias depois. Desde então, permanece preso. Em 2025, ele já havia sido condenado a 35 anos de prisão por torturar os filhos.
O que havia antes do crime
Durante a investigação, a polícia apurou que Suellen morava em Prudentópolis e tinha se mudado para Curitiba para escapar das ameaças do ex-marido. Ela havia denunciado Jaminus por ameaça, violência doméstica e descumprimento de medida protetiva de urgência.
Em uma das mensagens enviadas antes de ser assassinada, Suellen disse: “Ele tá muito transtornado, ele vai fazer algo pra mim, eu sinto isso.”
Na época do assassinato, Jaminus atuava como advogado e teve o registro profissional suspenso. Segundo a Polícia Civil, ele já havia perdido o porte de arma em razão de medida protetiva movida contra ele.
Mandado expedido e prisão barrada pelo calendário
A RPC teve acesso a um mandado de prisão preventiva expedido pela Vara Criminal de Prudentópolis dias antes do feminicídio. A ordem judicial foi emitida em 25 de outubro por ameaça, violência doméstica e descumprimento de medida protetiva de urgência.
Na ocasião, a Polícia Civil afirmou que o cumprimento do mandado foi “prejudicado” pela regra eleitoral que restringe prisões e detenções de eleitores no período próximo à votação. Naquele ano, o calendário eleitoral estabelecia a vedação de 25 de outubro até as 17h de 1º de novembro. Suellen foi morta por volta das 12h40 de 31 de outubro.
O caso levou à apresentação do Projeto de Lei n.º 2.959, de 2022, de autoria da então deputada federal Tereza Nelma (PSDB), que tramita na Câmara dos Deputados. A proposta altera o Código Eleitoral para permitir a prisão ou detenção de quem praticar violência doméstica e familiar contra a mulher mesmo nesse período.
Em 2024, a Lei nº 14.994 transformou o feminicídio em crime autônomo no Código Penal e elevou a pena mínima. Como o assassinato de Suellen ocorreu antes da mudança, o enquadramento permaneceu como qualificadora do homicídio.
Ao g1 Paraná, o advogado Jackson William Bahls, assistente de acusação e representante da família da vítima, afirmou: “Ontem foi dia de apresentar o Jaminus alguém que ele não conhecia, a justiça. A sociedade curitibana se encarregou disso, condenou o Jaminus e a sentença exarada pela juíza Michele Pacheco Cintra Stadler, digna de um capítulo de livro, apenou a 57 anos e um mês em regime fechado. Retribuição justa à crueldade e covardia desse crime. Esperamos agora que ele cumpra a integralidade dessa pena em um estabelecimento penal adequado e não na delegacia de furtos de roubos de veículo, que é um privilégio para esse homem”.
A defesa de Jaminus Quedaros de Aquino não respondeu ao g1 até a última atualização da reportagem.
Com informações do g1 Paraná
Veja e comente no InstagramEsta matéria também está no @siteprojac