Sete óbitos ocorreram entre pacientes que usaram polilaminina

Sete pacientes que receberam polilaminina morreram durante o tratamento, mas laboratório afirma que óbitos não estão relacionados ao produto.

Foto: Reprodução / CNN Brasil

Medicamento experimental é desenvolvido por laboratório em parceria com a UFRJ.

O Laboratório Cristália, responsável pela produção da polilaminina, anunciou que sete pacientes faleceram após receber o tratamento. No total, 106 pessoas foram atendidas com o medicamento, e a empresa assegura que as mortes não estão ligadas ao uso do produto. A polilaminina, desenvolvida em colaboração com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é considerada uma esperança para a restauração de lesões medulares recentemente ocorridas. A Anvisa, em nota, afirmou que foi informada de seis mortes de pacientes tratados com o produto, nos quais não há evidências que conectem os óbitos diretamente ao medicamento. Os dados do sétimo falecimento ainda não foram enviados para análise da agência. A polilaminina é uma proteína que visa regenerar células da medula espinhal, podendo recuperar parcial ou totalmente a mobilidade após uma lesão. Naturalmente, essa proteína é produzida pelo corpo durante o desenvolvimento do sistema nervoso e, conforme pesquisa da UFRJ, pode ser obtida a partir da placenta humana. Segundo a Anvisa, os dados preliminares indicam que o uso do medicamento é restrito a casos de lesão torácica entre as regiões T2 e T10, dentro de 72 horas após o trauma. O Laboratório Cristália informou que entre os 106 pacientes atendidos, todos apresentavam lesão total na medula espinhal. A empresa ressalta que, em função do nível da lesão, cuidados prestados e outras comorbidades, a taxa de mortalidade em algumas situações pode atingir até 40%. O laboratório destacou que monitora todos os pacientes para identificar possíveis eventos adversos, realizando a comunicação através das equipes médicas ou dos familiares. “Dos sete óbitos registrados, nossa equipe de farmacovigilância investigou as causas das seis primeiras e concluiu que nenhum deles teve relação com a polilaminina. A causa do sétimo óbito está sendo averiguada”, informou o comunicado. A aplicação da polilaminina é mais eficaz se realizada nas primeiras 24 horas após a lesão, embora também possa beneficiar lesões mais antigas. O tratamento consiste em uma única dose, seguida de fisioterapia. Rogério Almeida, vice-presidente de P&D do Cristália, defendeu que o medicamento atende aos critérios para ser considerado como uma alternativa viável para casos sem outras opções de tratamento. A próxima fase dos estudos será realizada em parceria com o Hospital das Clínicas da USP e a AACD para reabilitação. A polilaminina é reconhecida como uma das iniciativas mais promissoras no Brasil para a neuroregeneração, conforme liderada pela cientista Tatiana Coelho de Sampaio. Porém, há controvérsias na comunidade científica sobre a validação dos resultados dessa nova terapia, e uma audiência na Câmara dos Deputados, realizada em junho, discutiu o progresso do biofármaco e os desafios para sua continuidade e disponibilização ao público.

Com informações do CNN Brasil: https://www.cnnbrasil.com.br/saude/sete-pacientes-que-receberam-polilaminina-morreram-durante-tratamento/