A nova tarifa começou a valer na madrugada desta quarta-feira.
Entra em vigor a partir das 01h01 desta quarta-feira (22) a nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre certos produtos brasileiros. A medida foi oficializada na virada da última quinta-feira (16) para sexta-feira (17) em um documento publicado pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos).
A alíquota decorre de uma investigação iniciada após o anúncio do primeiro tarifaço de 50% contra o Brasil, feito em julho de 2025. Em junho deste ano, o USTR propôs a imposição da nova tarifa no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio americana, que permite aos EUA investigar e retaliar práticas comerciais consideradas injustas.
Apesar de audiências públicas em que a sociedade civil manifestou oposição à nova tarifa, o USTR indicou que as políticas do governo brasileiro sobre comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, processamento de patentes, pirataria, etanol e desmatamento ilegal geram insegurança jurídica e competição desleal para os EUA.
Enquanto representantes dos EUA expressaram insatisfação com o engajamento do Brasil nas negociações, negociadores brasileiros alegaram que a demanda norte-americana é desvantajosa para a indústria e a agricultura do país. Encontraram dificuldades nas conversas devido à falta de clareza dos EUA quanto a pedidos específicos.
Em resposta ao tarifaço, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lamentou a situação, afirmando que o dia 15 de julho “passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável”. O Planalto anunciou que utilizaria a Lei de Reciprocidade contra as novas tarifas norte-americanas.
Medidas do governo brasileiro
Diante da implementação do tarifaço, o governo brasileiro está desenvolvendo uma estratégia que inclui insistir nas negociações com os EUA, reforçar articulações com o setor privado para abrir novos mercados e responder de maneira técnica às novas exigências. O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), e o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, reforçaram que o governo continua a dialogar e a negociar, ao mesmo tempo em que busca mitigar os impactos da tarifa.
“Continuar negociando, essa é a orientação”, afirmou Elias Rosa, ressaltando que os gestores estão cientes das injustiças envolvidas na decisão dos EUA, mas que isso não impede o governo de adotar medidas para amenizar as dificuldades que possam surgir.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, havia sinalizado a possibilidade de retaliação sob a Lei de Reciprocidade, mas posteriormente enfatizou que “não cabe falar em retaliação”, buscando um tom mais conciliatório nas declarações. O presidente Lula solicitou estudos de impacto e demonstrou cautela na aplicação de medidas retaliatórias, visando evitar um aumento nas tarifas e na elevação dos preços ao consumidor brasileiro.
A tensão no cenário econômico é sentida por especialistas e pelo mercado, que observam atentamente as respostas do governo brasileiro. As reuniões com o setor privado revelaram um coro contra a retaliação, com pedidos de apoio aos exportadores que podem ser afetados pela nova alíquota americana.
Perspectivas para o futuro
Através desse cenário complexo, o Brasil se posiciona para tentar corrigir a situação de maneira adequada e no momento certo. Alckmin destacou que a reciprocidade deve ser baseada em “justiça”, frisando que há instrumentos para a correção de práticas percebidas como injustas.
Diante das novas adversidades, o governo brasileiro segue em busca de alianças e soluções que possam minimizar os impactos negativos da medida imposta pelos EUA, enquanto a relação entre os dois países enfrenta um importante teste no comércio internacional.
Com informações do CNN Brasil