Chuvas atrasam soja e reduzem qualidade do trigo

Excesso de chuva no Paraná afeta soja e trigo, encarece a produção e pode reduzir a janela do milho safrinha nos próximos meses.

Um grande volume de grãos de soja dentro de um saco de tecido
Um grande volume de grãos de soja dentro de um saco de tecido. Foto: Reprodução / Bem Paraná

No Paraná, a semeadura alcançou 39% da área prevista até a primeira quinzena de outubro, em meio a um setembro com recorde de chuva em 14 estações do Simepar.

O avanço da safra de soja no Paraná chegou a 39% da área prevista até o fim da primeira quinzena de outubro, em um cenário de chuvas persistentes que também vêm atrapalhando a colheita do trigo e derrubando a qualidade do grão. Segundo o Bem Paraná, o excesso de umidade nos últimos meses já trouxe reflexos no ritmo dos trabalhos no campo, nos custos da produção e no planejamento da safra de verão.

De acordo com levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), a área prevista para a soja no estado é de 5,7 milhões de hectares. O boletim citado pelo órgão registra impactos das chuvas tanto na execução das atividades quanto nas condições das lavouras.

Além do atraso no plantio da soja, o trigo enfrenta dificuldade para ser retirado das áreas no momento adequado. Com isso, há perda de qualidade, desvalorização dos grãos e despesas extras para o produtor. O quadro também traz risco para o desenvolvimento das lavouras nos próximos meses e diminui a janela disponível para a implantação do milho safrinha.

O cenário das chuvas

O período mais recente foi marcado por volumes acima da média em setembro. Em 14 estações meteorológicas do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), o acumulado do mês foi o maior desde o início da série histórica, há mais de 25 anos.

Esse comportamento do clima ajuda a explicar a dificuldade para conciliar a colheita do trigo com a entrada da soja nas áreas de produção. A sequência de dias úmidos reduziu as oportunidades de trabalho no campo e forçou ajustes no calendário da nova safra.

Relatos do campo

No Vale do Ivaí, o produtor Marcelo Alberton cultiva 87,1 hectares de soja e 43 hectares de trigo nos municípios de Manoel Ribas e Ivaiporã. Com 22 anos de experiência nessas culturas, ele relatou que a chuva de setembro e outubro mudou o planejamento da propriedade.

Marcelo Alberton afirmou: “Do início de setembro até agora, tivemos apenas seis dias com abertura de sol que permitiram o plantio da soja. No entanto, ainda havia trigo para colher”.

O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, também comentou os efeitos econômicos do cenário. Ele afirmou: “Os prejuízos das chuvas vão além da lavoura, uma vez que aumentam os custos de produção, comprometem a renda e dificultam o planejamento. Por isso, o Sistema FAEP atua na defesa de um seguro rural e de políticas públicas que permitam ao produtor condições de enfrentar essas perdas e manter sua atividade”.

Com informações do Bem Paraná

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