Em entrevista à Agência Brasil, Bianca Borges ligou a mobilização do segundo turno à defesa da democracia, das universidades públicas e da assistência estudantil.
A União Nacional dos Estudantes voltou a colocar a defesa das universidades públicas e da assistência estudantil no centro do debate eleitoral do segundo turno. Segundo a Agência Brasil, a presidente da entidade, Bianca Borges, disse que atos organizados por estudantes em várias cidades têm reunido universitários, secundaristas e outros setores em defesa da democracia e da educação pública.
Em entrevista à Agência Brasil, Bianca afirmou: “Neste momento, nós vemos não só uma eleição em jogo, mas verdadeiramente o futuro do nosso país em risco”. Na avaliação da dirigente, a mobilização estudantil está ligada ao cenário da disputa presidencial e à posição da UNE de apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A dirigente também declarou: “Os estudantes se levantam pelos direitos, pela educação, pela soberania e pela democracia brasileira diante dessa ameaça. Isso é da própria vocação dos estudantes brasileiros, desde a fundação da UNE tem sido assim”. Na entrevista, ela associou o momento atual a outras fases de atuação do movimento estudantil na política brasileira, como a resistência à ditadura militar, as Diretas e mobilizações contra governos anteriores.
Como a mobilização começou
Bianca disse que a nova sequência de atos começou nas universidades após o resultado do primeiro turno. Segundo ela, o primeiro movimento ocorreu na Universidade Federal Fluminense, em Niterói, quando uma assembleia reuniu mais de mil estudantes e acabou se transformando em manifestação de rua.
A presidente da UNE resumiu esse início ao dizer: “Esse nosso levante começou pelas universidades.” Ela também citou a presença de estudantes secundaristas e informou que o ato realizado em 7 de outubro de 2026, no centro do Rio de Janeiro, teve convocação inicial de estudantes do Colégio Pedro II.
Sobre a manifestação no Rio, Bianca afirmou: “Com certeza. Nós, inclusive, tivemos um ato no centro do Rio de Janeiro, no dia 7 [de outubro de 2026], que foi muito bonito, da Candelária à Cinelândia.” Ela disse ainda que pessoas de outras gerações do movimento estudantil compararam o público à Passeata dos 100 mil. Já em Brasília, a UNE participou de ato na terça-feira (13), descrito por ela como uma manifestação com maioria de estudantes e adesão de outros setores da sociedade.
Educação e universidades
Na entrevista, Bianca citou problemas que, segundo ela, pesam hoje sobre o ensino superior público. Entre eles, mencionou o subfinanciamento das universidades há mais de dez anos, a necessidade de ampliar a permanência de alunos de baixa renda e a defesa de um Plano Nacional de Assistência Estudantil com orçamento robusto.
A dirigente também falou em mais investimentos nas universidades públicas, inclusive estaduais. Segundo ela, a UNE apoia uma proposta de emenda constitucional na Câmara para permitir repasses do governo federal a essas instituições. Outro ponto defendido pela entidade é a efetivação do investimento de 10% do PIB na educação pública, além de maior fiscalização sobre o ensino superior privado.
Ao criticar a gestão anterior de Jair Bolsonaro, Bianca citou o Future-se e a nomeação de mais de 18 reitores interventores. Já em relação à candidatura de Flávio Bolsonaro, disse que uma das propostas mais polêmicas seria tirar a gestão das universidades federais do Ministério da Educação e transferi-la para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
A Agência Brasil registra que, em pronunciamentos e entrevistas, Flávio Bolsonaro tem dito que irá investir em educação e manter o piso constitucional para a área. No programa de governo, ele propõe a reformulação do ensino técnico para aproximar escolas e empresas, a expansão das escolas cívico-militares e a transferência do ensino superior para o MCTI.
Decisão do TSE e próximos passos
Na última sexta-feira, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, do Tribunal Superior Eleitoral, negou pedido da campanha de Flávio Bolsonaro para barrar publicações nas redes sociais de 54 dirigentes de sindicatos, movimentos sociais e entidades estudantis, entre elas a UNE.
Sobre a continuidade das mobilizações, Bianca disse: “O caminho para que as mobilizações sejam longevas, com certeza, é a organização dos estudantes no movimento estudantil”. Segundo ela, a atuação da entidade deve seguir depois do segundo turno, marcado para 25 de outubro, independentemente do resultado da eleição.
Com informações da Agência Brasil
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