Orçamento de 2027 deve ser revisto, diz diretor da IFI

Diretor da IFI afirma que novas despesas anunciadas pelo governo exigirão remanejamento no Orçamento de 2027 e aumentam a pressão fiscal.

Foto: Reprodução / CNN Brasil

Alexandre Andrade afirmou que medidas do governo federal pressionam as contas públicas e podem elevar a dívida em um ponto do PIB.

O Orçamento de 2027 deve passar por remanejamento para acomodar as despesas anunciadas pelo governo federal, afirmou Alexandre Andrade, diretor da Instituição Fiscal Independente (IFI). Segundo a CNN Brasil, a avaliação é de que o pacote amplia a pressão sobre as contas públicas num momento em que a proposta orçamentária já foi enviada ao Congresso Nacional.

Andrade disse que o texto encaminhado no fim de agosto já chegou com todo o limite de gasto ocupado, antes mesmo da criação das novas despesas. Por isso, na avaliação dele, a inclusão dessas medidas exigirá cortes ou deslocamento de verbas dentro do próprio orçamento do próximo ano.

Em entrevista à CNN Brasil, Alexandre Andrade afirmou: “A proposta orçamentária já tem o limite de despesa todo preenchido, vai ser necessário um remanejamento de despesas dentro do orçamento para a acomodação dessas novas despesas que foram criadas”.

Entre os impactos citados por ele está o reajuste do Bolsa Família, com efeito estimado em cerca de R$ 23 bilhões no próximo ano. Andrade também apontou que as medidas têm peso relevante sobre a trajetória da dívida pública.

Ao tratar desse ponto, ele afirmou: “Considerando a projeção atual da IFI para a dívida bruta no final de 2026, essas medidas representariam um ponto percentual do PIB a mais de impacto sobre a dívida”.

Onde pode haver corte

Na leitura do diretor da IFI, o espaço para absorver as novas despesas tende a recair sobre gastos discricionários, categoria que inclui investimentos públicos. Isso ocorre porque as despesas obrigatórias têm remanejamento mais difícil.

Andrade ainda observou que as novas despesas foram anunciadas sem apresentação de fonte de custeio. Ele lembrou que a IFI já havia identificado problemas na própria proposta enviada ao Congresso em agosto.

Sobre esse ponto, citou que o orçamento foi montado “a partir de parâmetros bastante otimistas, tanto do lado das receitas quanto das despesas”.

Meta fiscal de 2027

O cenário, segundo Andrade, fica mais apertado porque a meta de resultado primário de 2027 já está fixada em 0,5% do PIB. Em 2026, essa meta é de 0,25% do PIB.

Além do efeito interno nas contas públicas, ele alertou para a reação do mercado diante da criação de despesas sem contrapartida financeira. Na avaliação do diretor da IFI, isso pode aumentar a desconfiança sobre o equilíbrio fiscal nos próximos anos.

Ao comentar esse risco, Andrade afirmou: “A criação dessas despesas pode ser interpretada ou recebida com uma certa desconfiança, e a fonte de custeio também não foi apresentada”.

Com informações da CNN Brasil

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