Operação prende delegada e bloqueia R$ 14,95 mi

Operação Sinalagma prendeu uma delegada do Pará em Brasília e mirou patrimônio de até R$ 14,95 milhões em investigação sobre PCC.

Uma mulher em uniforme de polícia posa ao lado de um veículo oficial e outra foto mostra uma mulher com cabelos longos em ambiente interno
Uma mulher em uniforme de polícia posa ao lado de um veículo oficial e outra foto mostra uma mulher com cabelos longos em ambiente interno. Foto: Reprodução / CNN Brasil

Polícia Civil de Pernambuco diz que a investigada recebeu Pix de R$ 50 mil de “Gordão”, apontado como liderança do PCC.

A Operação Sinalagma prendeu a delegada da Polícia Civil do Pará Maria Virgínia Grimwood Pinto em Brasília, na quinta-feira (15), e determinou o bloqueio de bens e ativos financeiros de investigados até o limite de R$ 14,95 milhões. Segundo a CNN Brasil, a apuração da Polícia Civil de Pernambuco trata de uma organização criminosa com conexões interestaduais e suspeitas de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e cooptação de agentes públicos.

De acordo com o delegado Ney Luiz, titular do Departamento de Repressão ao Narcotráfico (DENARC), a delegada teria recebido uma transferência via Pix de R$ 50 mil de um homem conhecido como “Gordão”, apontado pela Polícia Civil de Pernambuco como liderança do PCC (Primeiro Comando da Capital). Ainda segundo ele, havia conversas em que a policial dizia consultar sistemas policiais para verificar se existia alguma ação contra o suspeito e também repassava informações sobre possíveis investigações envolvendo ele e integrantes do grupo criminoso.

A prisão em Brasília foi feita, segundo a Polícia Civil de Pernambuco, por agentes policiais na capital federal, incluindo integrantes da FICCO, com participação de policiais militares e federais, após monitoramento da investigada.

O que a investigação aponta

A apuração também sustenta que “Gordão” teria pago despesas de viagens para que a delegada visitasse Pernambuco, com passagens e ida a destinos como Porto de Galinhas e Serrambi. Ao ser questionado sobre a possibilidade de os dois manterem um relacionamento amoroso, Ney Luiz respondeu: “Aparentemente, sim”.

Na mesma fala, o delegado acrescentou que o suspeito a convidou para ir a Pernambuco, teria bancado as passagens e pedido que ela viajasse sozinha.

Segundo a investigação, a ligação entre o homem e a delegada pode ter começado no Pará, em 2024, quando ele foi detido e levado a uma delegacia por uma equipe policial da qual faziam parte Maria Virgínia Grimwood Pinto e outro delegado. O episódio ocorreu após uma situação de trânsito, com suposta batida de carro e discussão.

Mesmo com documento falso, o homem foi liberado. De acordo com Ney Luiz, a Polícia Civil de Pernambuco suspeita que essa liberação tenha ocorrido mediante pagamento à equipe policial.

Mandados e apreensões

Depois de sair do Pará, o suspeito foi para Pernambuco, onde acabou preso em janeiro de 2025, em Porto de Galinhas, no município de Ipojuca, em cumprimento de mandado expedido pela Justiça de São Paulo. A partir dessa prisão, a polícia pernambucana abriu inquérito para apurar a atuação dele no estado e as conexões com agentes públicos do Pará.

Deflagrada em 15 de outubro de 2026, a Operação Sinalagma cumpriu três mandados de prisão temporária e 11 mandados de busca e apreensão em Pernambuco, no Pará e em São Paulo. Na mesma ação, “Gordão” foi preso novamente, desta vez em um apartamento de luxo no Recife.

Segundo os investigadores, ele atuava no tráfico de drogas em Pernambuco e exercia papel de liderança no Pará, no Amazonas e no Acre. A investigação identificou movimentações financeiras estimadas em cerca de R$ 14 milhões.

Durante as diligências, foram apreendidos relógios, joias e aparelhos celulares. A Polícia Civil informou que três relógios poderiam valer entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, caso a autenticidade dos itens seja confirmada. Uma joia também foi estimada entre R$ 20 mil e R$ 30 mil.

A corporação afirma que o grupo tinha núcleos com funções distintas, incluindo tráfico de drogas, movimentação financeira e proteção institucional. A investigação continua para analisar o material apreendido, individualizar a participação de cada investigado e verificar eventual envolvimento de outras pessoas. Segundo a Polícia Civil, novas prisões poderão ser solicitadas caso surjam elementos que justifiquem as medidas.

Com informações da CNN Brasil

Compartilhar
Veja e comente no InstagramEsta matéria também está no @siteprojac