Papa Leão XIV tem cirurgia bem-sucedida em Roma

Leão XIV passou por cirurgia em Roma, voltou ao quarto após observação e recebeu elogios pela forma aberta como tratou a própria saúde.

Papa Leão XIV tem cirurgia bem-sucedida em Roma
Foto: Reprodução / CNN Brasil

Procedimento de cerca de 90 minutos confirmou adenocarcinoma pulmonar, e o Vaticano destacou a divulgação prévia feita pelo pontífice.

O papa Leão XIV passou por uma cirurgia em Roma nesta terça-feira (13), teve o procedimento considerado bem-sucedido e voltou ao quarto após um breve período de observação. Segundo a CNN Brasil, a operação confirmou o diagnóstico de adenocarcinoma pulmonar, um tipo de câncer de pulmão.

A cirurgia foi realizada no Hospital Universitário Agostino Gemelli e durou cerca de 90 minutos. No procedimento, os médicos removeram o lobo inferior do pulmão direito por meio de uma técnica videoassistida. De acordo com comunicado da Santa Sé, o papa despertou normalmente depois da operação.

Antes da internação, Leão XIV já havia informado publicamente que passaria pela intervenção. No domingo (11), ele disse que exames de rotina identificaram um nódulo no pulmão e que os médicos recomendaram a retirada da formação.

Comunicação mais aberta

A decisão de tornar o caso público antes da cirurgia foi apontada como parte de uma mudança na forma como o Vaticano trata informações sobre a saúde do pontífice. Na segunda-feira (12), o cardeal canadense Gérald Lacroix elogiou a escolha de Leão XIV de explicar o quadro e pedir orações.

Ao comentar o assunto, Lacroix afirmou: “Apreciei muito o fato de que, ontem… ele mesmo disse: ‘É isto o que está acontecendo’ — com muita transparência — e pediu orações. Gostei disso”.

O secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, também comentou a maneira como o papa lidou com a notícia. Ele disse à imprensa italiana que o diagnóstico foi uma surpresa, mas relatou serenidade na conversa com o pontífice. “Conversamos com muita calma”, disse Parolin. Em seguida, acrescentou: “Estou preocupado? Sim, porque certamente não esperava algo assim.”

Menos espaço para rumores

Para o especialista em Vaticano Raylson Araújo, a postura de Leão XIV acompanha uma evolução na comunicação da Santa Sé nos últimos anos. Na avaliação dele, esse modelo ajuda a diminuir especulações sobre o estado de saúde do líder da Igreja Católica.

Raylson afirmou: “Isso parece demonstrar uma mudança no próprio processo de comunicação do Vaticano. Com Francisco, por exemplo, já experimentamos uma cobertura diferente da anterior, com a atualização constante dos boletins sobre a sua saúde”.

Na leitura do especialista, o silêncio tende a produzir o efeito oposto. “Na verdade, penso que o efeito é contrário. Quanto menos se sabe, mais se especula nos bastidores”, afirma.

Ele também relacionou a decisão de Leão XIV ao conteúdo da primeira encíclica do pontífice, Magnífica Humanitas, publicada em maio. Para Raylson, há coerência entre a reflexão sobre a fragilidade humana e a forma como o papa tratou a própria enfermidade. “É bastante significativo que o Papa que escreveu sobre como a fragilidade pode ser caminho de encontro com Deus, em maio, na Magnífica Humanitas, foi o mesmo que noticiou para todo o seu rebanho sobre a sua enfermidade”, afirmou.

Como outros papas comunicaram a saúde

Araújo citou outros momentos em que papas falaram publicamente sobre questões médicas. Um dos exemplos é João Paulo II, que em julho de 1992 anunciou aos fiéis, durante a oração do Angelus, que seria internado para exames. Dias depois, ele passou por cirurgia para retirar um tumor benigno no estômago.

Segundo Araújo, a vaticanista Mirticeli Medeiros recordou recentemente esse episódio. O especialista também mencionou João XXIII, morto em junho de 1963. Nesse caso, o diagnóstico só foi divulgado uma semana antes da morte, embora integrantes da Igreja já soubessem da doença desde setembro de 1962.

Com informações da CNN Brasil

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