Mendonça pede arquivamento a Fachin no STF

André Mendonça pediu ao presidente do STF o arquivamento da representação de Moraes e contestou relatórios usados no inquérito.

Um homem de toga segura um microfone em uma sala com cadeiras douradas
Um homem de toga segura um microfone em uma sala com cadeiras douradas. Foto: Reprodução / Bem Paraná

Ministro respondeu à representação apresentada por Alexandre de Moraes e contestou o uso de relatórios da Polícia Federal no caso.

O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), pediu ao presidente da corte, Edson Fachin, o arquivamento da representação apresentada por Alexandre de Moraes contra ele. Segundo o Bem Paraná, a resposta foi enviada na noite desta segunda-feira (21), após o prazo aberto por Fachin para manifestação do ministro.

Na petição, Mendonça negou suspeitas de irregularidades e contestou os documentos usados no caso. Moraes havia pedido, em setembro, que ele fosse investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução do caso do Banco Master e do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

O que Mendonça pediu

Entre os pedidos feitos a Fachin, Mendonça solicitou que “seja expressamente reconhecida a manifesta ilicitude de ‘relatórios’ elaborados com a intenção de escrutinar atos jurisdicionais praticados por ministros deste tribunal”. Também pediu que “seja expressamente determinada a proibição de elaboração de quaisquer novos ‘relatórios’ com o mesmo viés ou objeto, ante a sua manifesta inconstitucionalidade e ilicitude”.

Na manifestação, o ministro também afirmou, em referência a Moraes, que não é ele “quem deveria ter sido incluído naquela interminável investigação [inquérito das fake news], que se arrasta por mais de sete anos”.

Críticas ao uso de documentos

O pedido de Moraes foi assinado no âmbito do inquérito das fake news. De acordo com o que consta no caso, o despacho usou um documento interno que a própria Polícia Federal classificava como “sem valor probatório” e que não era assinado por nenhum delegado, como é praxe em documentos de inteligência.

Fachin retirou esse pedido do inquérito das fake news e abriu prazo para Mendonça se manifestar até esta segunda-feira (21). Na resposta, Mendonça fez críticas à forma como as acusações foram apresentadas e escreveu que elas ocorreram “de forma virulenta e histriônica”.

O ministro também citou o que chamou de “instrumentalização da Polícia Federal”, com desvio de finalidade, por meio da “utilização de documentação que é manifestamente desprovida de qualquer valor probatório”.

Em outro trecho, Mendonça escreveu: “A situação fica ainda pior quando se verifica o teor dos ‘relatórios’ utilizados para imputar crimes a este ministro. Como advertem os próprios autores desconhecidos, as ‘informações’ ali contidas não passam de meros relatos unilaterais de membros da instituição, expondo impressões e opiniões sobre os trabalhos por eles próprios realizados no âmbito das operações Sem Desconto e Compliance Zero”.

Como o caso começou

A representação contra Mendonça foi apresentada após a elaboração de outro relatório da PF que apontou Moraes como interlocutor de Daniel Vorcaro, do Banco Master. Nesse documento, aparecem diálogos e encontros entre o ministro e o ex-banqueiro.

Ainda segundo o relato do caso, o material menciona informações sobre o contrato de R$ 131 milhões do Master com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado.

Com informações do Bem Paraná

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