Prestação à Justiça Eleitoral registra R$ 207 mil em transporte aéreo, mas não identifica a aeronave usada no deslocamento entre Castro Alves e Itatim.
A campanha de Jerônimo Rodrigues (PT) usou no fim de agosto um helicóptero com prefixo PT-YNB, o mesmo citado pela Polícia Federal no caso Master. Segundo a CNN Brasil, a aeronave foi utilizada no deslocamento entre Castro Alves e Itatim durante compromissos eleitorais do então candidato à reeleição ao governo da Bahia.
A prestação apresentada à Justiça Eleitoral acrescenta outro ponto ao episódio. No dia 18 de agosto, Jerônimo Rodrigues declarou o repasse de R$ 207 mil a uma empresa por despesas com transporte no fretamento de uma aeronave, mas o documento não detalha qual veículo foi usado.
Documentos da Anac apontam que o helicóptero pertence à RG8 Taxi Aéreo LTDA. A própria informação disponível, porém, não indica vínculo societário entre a empresa de táxi aéreo e o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
O elo apontado pela PF
O prefixo PT-YNB aparece em uma representação da Polícia Federal sobre a investigação envolvendo Jaques Wagner (PT-BA). De acordo com a apuração, Augusto Ferreira Lima teria oferecido a aeronave ao senador para uma viagem à Ilha da Paixão, em Salvador.
No relatório, a PF registra que, em outubro de 2023, Jaques Wagner mandou um áudio a Augusto Lima informando que ele e a mulher aceitavam o convite. Dois dias depois, segundo a investigação, o empresário enviou ao senador o prefixo da aeronave e o horário do deslocamento.
A Polícia Federal descreveu assim o destino da viagem: “O destino da viagem era a chamada Ilha da Paixão, imóvel pertencente a Augusto Lima, o que se conclui dos elementos extraídos de fotos e mensagens gravadas no grupo de WhatsApp denominado Família Brahia”.
Imagens dos eventos de campanha em Castro Alves e Itatim também mostram a presença de Jaques Wagner e Rui Costa (PT), de acordo com o relato da CNN Brasil.
O que dizem os citados
Em nota, Jerônimo Rodrigues afirmou que Augusto Lima não teve participação na contratação do voo da campanha. O governador também sustentou que não há prova de que o empresário tenha cedido, pago ou disponibilizado o helicóptero usado no período eleitoral.
A assessoria de Jaques Wagner reafirmou que Augusto Lima não tem vínculos com o veículo empregado na campanha de Jerônimo Rodrigues. O senador também negou ter usado o helicóptero no episódio da viagem para a Ilha da Paixão.
Procurada pela CNN, a defesa de Augusto Lima disse repudiar de forma veemente “qualquer tentativa de estabelecer relação entre ele e o uso de helicóptero em campanha eleitoral”. Os advogados também classificaram a associação como uma “coincidência”.
Na mesma manifestação, a defesa afirmou: “O prefixo mencionado em relatório da Polícia Federal refere-se a uma aeronave pertencente a uma empresa de táxi aéreo, sem qualquer vínculo com Augusto Lima. Uma mesma aeronave comercial pode ser utilizada, em momentos distintos, por diferentes clientes, o que não estabelece qualquer relação entre eles”.
Por fim, os advogados declararam que Augusto Lima segue à disposição das autoridades e encerraram a nota com a frase: “Confiante de que, ao final das investigações, sua inocência será plenamente comprovada”.
Com informações da CNN Brasil
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