Assembleia mantém paralisação dos bancários da Caixa

Empregados da Caixa decidiram manter a greve iniciada em 10 de setembro após rejeitarem nova oferta, que tratava do Saúde Caixa.

Cartazes de greve de bancários cobrem a fachada de uma agência, enquanto pessoas caminham pela calçada
Cartazes de greve de bancários cobrem a fachada de uma agência, enquanto pessoas caminham pela calçada. Foto: Reprodução / Bem Paraná

Categoria recusou a nova proposta por 59,3% dos votos; plano de saúde segue no centro do impasse.

A greve nacional dos empregados da Caixa Econômica Federal continua após a categoria rejeitar a nova proposta apresentada pelo banco. Segundo o Bem Paraná, a decisão foi tomada em assembleia encerrada na noite de segunda-feira (21), com 59,3% dos votos pela recusa.

O ponto que travou o acordo segue sendo o Saúde Caixa. Na proposta analisada pelos trabalhadores, o banco público elevava de 6,5% para 9% o teto de participação sobre a folha de pagamento no custeio do plano a partir de 2027, com manutenção do pacto intergeracional e do convênio no acordo coletivo de trabalho. Também não haveria cobrança diferente por faixa etária.

Os empregados da Caixa estão em greve desde 10 de setembro. Em várias localidades, as agências seguem fechadas, com avisos sobre a paralisação. Durante esse período, a orientação da instituição aos clientes é usar os caixas eletrônicos e os canais digitais.

Em Curitiba, a proposta também foi recusada. Na assembleia local, 52,61% votaram contra, 45,57% a favor e 1,82% se abstiveram.

O que previa a proposta

Pelas condições apresentadas, não haveria reajuste nas mensalidades em 2026, e a Caixa assumiria o déficit do plano. A partir de 2027, a contribuição do titular passaria a 3,7% da remuneração-base dos funcionários.

Para dependente direto, o valor previsto era de R$ 560. No caso de dependente indireto filho de 21 a 24 anos, a mensalidade seria de R$ 660. Para filhos de 24 a 27 anos e pais/mães remanescentes, a cobrança seria de R$ 900. O limite do grupo familiar, considerando titular e dependentes diretos, ficaria em 9%.

A proposta mais recente também alterava a cobrança por atendimento. O valor de consulta em pronto atendimento cairia de R$ 150 para R$ 120, enquanto a telemedicina continuaria sem coparticipação.

Atendimento aos clientes

A Caixa informou, em nota, que mantém as negociações com as entidades representativas dos empregados. O banco afirmou que voltou à mesa com o objetivo de buscar entendimento entre as partes.

Para os clientes, seguem disponíveis o aplicativo da Caixa, o internet banking e o WhatsApp no número 0800-1040104. O banco também citou os aplicativos Caixa Tem, Cartões CAIXA, Habitação CAIXA, DPVAT e FGTS.

O atendimento telefônico pode ser feito pelo Alô CAIXA, nos números 4004 0104, para capitais e regiões metropolitanas, e 0800 104 0104, para as demais localidades. Caixas eletrônicos e a rede Banco24Horas também continuam em operação.

Próximos passos e contexto

De acordo com o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, o comando de greve deve discutir o resultado da assembleia e definir os próximos passos do movimento.

Juvandia Moreira, presidenta da Contraf-CUT e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, afirmou: “A mobilização mostrou que era necessário colocar mais recursos da empresa no Saúde Caixa e preservar um princípio fundamental do nosso plano, que é o pacto intergeracional. E só conquistamos isso em mesa de negociações graças à mobilização dos trabalhadores.”

Trabalhadores ouvidos pela reportagem em condição de anonimato disseram que o plano de saúde enfrenta dificuldades há anos, com déficit, e que médicos têm se descredenciado. Eles também afirmaram que os reajustes propostos pela Caixa e os custos a serem arcados pelos funcionários anulariam o aumento real obtido nos salários.

Enquanto a negociação na Caixa segue aberta, bancários de instituições privadas e do Banco do Brasil já fecharam reajuste com correção pelo INPC mais 0,6% acima da inflação. No setor privado, a convenção coletiva foi assinada no dia 9 para cerca de 500 mil bancários. No BB, o acordo saiu depois, em razão da greve da categoria. O mesmo índice será aplicado a vale-alimentação, vale-refeição e auxílio-creche.

Com informações do Bem Paraná

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