EUA planejam levar drones MQ-9 para a América do Sul

Militares dos EUA preparam a transferência de drones MQ-9 para o comando da América do Sul, em meio a planos de ampliar ações conjuntas na região.

Um drone MQ-9 é preparado por militares em pista de aeroporto sob céu nublado
Um drone MQ-9 é preparado por militares em pista de aeroporto sob céu nublado. Foto: Reprodução / CNN Brasil

Transferência a partir da África, ainda sem número confirmado, ocorre antes de operações conjuntas antidrogas e antiterrorismo previstas na região.

Os Estados Unidos preparam a transferência de drones MQ-9 Reaper do comando militar na África para a estrutura responsável pela América do Sul, segundo a CNN Brasil. O deslocamento faz parte de um movimento mais amplo de reforço militar na região, enquanto o governo Donald Trump anuncia parcerias para operações antidrogas e antiterrorismo com países sul-americanos.

Seis fontes ouvidas pela CNN afirmaram que os equipamentos hoje vinculados ao US Africa Command devem passar ao US Southern Command. Ainda não está claro quantos drones serão enviados, mas uma das fontes disse que seria a “maioria” deles.

De acordo com essa fonte e outras duas, a mudança antecede ações previstas na América do Sul, com foco em missões antidrogas e antiterrorismo. Entre os cenários mencionados estão possíveis operações no Equador, país que começou no início deste ano a realizar operações militares com os EUA contra “organizações terroristas designadas”.

O contexto da transferência

A movimentação ocorre após um histórico recente de reforço militar dos EUA no entorno da região. No ano passado, os americanos deslocaram drones MQ-9, caças F-35 e pelo menos um AC-130 para o Caribe em sua campanha contra supostos barcos ligados ao tráfico de drogas.

Ao mesmo tempo, há discussões sobre destinar parte dos MQ-9 ao Oriente Médio, já que os EUA perderam ativos, inclusive esse tipo de drone, na guerra contra o Irã. Mesmo assim, o plano atual inclui a saída de aeronaves da África, onde militares americanos ainda mantêm operações contra grupos como ISIS e al-Shabaab.

Segundo a CNN, líderes militares dos EUA vêm alertando que esses grupos seguem ativos enquanto a presença americana no continente africano diminuiu nos últimos anos. Fontes disseram que o combate ao terrorismo na África deve continuar, mas algumas avaliam que retirar ativos do porte dos MQ-9 pode dificultar essas ações.

Prioridade no hemisfério

O secretário de Defesa Pete Hegseth definiu a defesa do território americano e do hemisfério ocidental como prioridade número um do Pentágono na Estratégia Nacional de Defesa divulgada em janeiro. Com disputas por recursos entre Pacífico, Oriente Médio e Europa, a atuação militar dos EUA na África tem ficado entre os últimos lugares na lista de prioridades, conforme a reportagem.

Em agosto, durante uma conferência conjunta no Panamá, Hegseth citou Equador, Honduras, Guatemala, Jamaica e Colômbia como parceiros em operações conjuntas contra “narcoterroristas”. Na ocasião, disse: “A Colômbia já solicitou ao Departamento de Guerra que se junte à Colômbia em sua luta contra o narcoterrorismo, autorizando operações militares conjuntas para destruir terroristas e redes de terror”.

Na semana passada, em visita à região, o secretário de Estado Marco Rubio afirmou que os EUA queriam abrir uma “era dourada” na relação com a Colômbia e declarou que o “estado natural das coisas” é que os dois países sejam “aliados e parceiros fortes”.

Colômbia, Panamá e ataques no mar

A CNN informou ainda que o presidente colombiano Abelardo de la Espriella fechou um acordo com os EUA para o empréstimo de três drones MQ-9A Reaper. O objetivo seria monitorar corredores de narcotráfico e realizar possíveis ataques de precisão.

Na quinta-feira, a Embaixada dos EUA no Panamá anunciou a entrega de mais de US$ 6 milhões em sistemas de drones de longo alcance ao Serviço Aeronaval Nacional do país. Segundo o comunicado, os equipamentos darão “a capacidade de monitorar fronteiras remotas, proteger corredores marítimos estratégicos e desmantelar redes ilícitas de tráfico de drogas e contrabando de pessoas”.

O Departamento de Defesa dos EUA também já vem há meses realizando ataques contra supostos narcotraficantes no Caribe e no Pacífico oriental, ações que mataram ao menos 230 pessoas. Autoridades policiais e especialistas disseram à CNN que não está claro se a ofensiva produziu efeito duradouro sobre o tráfico na região. Um especialista chamou a campanha de ataques de “performática”.

Nas últimas semanas, os EUA passaram a interceptar mais de meia dúzia de embarcações, retirar suas tripulações, transferi-las a países parceiros e depois afundar os barcos. Rubio afirmou: “Quando você conduz uma operação conjunta em águas territoriais, é preciso chegar a um entendimento sobre como essas operações vão ocorrer”. Em seguida, acrescentou: “E cada um desses países tem suas próprias leis, tem seus próprios sistemas com os quais precisam cumprir. Alguns podem ser mais agressivos do que outros.”

Apesar da mudança de tática, os ataques contra embarcações tripuladas continuam. Em 9 de setembro, o exército americano informou ter matado três membros de tripulação em um ataque a uma suposta embarcação de tráfico de drogas no Caribe.

Com informações da CNN Brasil

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