Roma abre visitação de mosaico romano ainda em escavação

Roma apresentou ao público um mosaico de parede de 10 por 16 metros e um afresco do século I após 14 anos de restauração.

Detalhe de mosaico romano em escavação com figura feminina entre colunas e ornamentos coloridos
Detalhe de mosaico romano em escavação com figura feminina entre colunas e ornamentos coloridos. Foto: Reprodução / CNN Brasil

Painel de 10 metros por 16 foi apresentado após 14 anos de restauração, junto de um afresco do século I achado na mesma área.

Após 14 anos de restauração, Roma passou a exibir um conjunto arqueológico sob o Monte Ópio que inclui um mosaico de parede de 10 metros de altura por 16 metros de comprimento e um afresco colorido pintado há 2 mil anos. Segundo a CNN Brasil, o local fica a poucos passos do Coliseu e agora recebeu passarelas e iluminação para visitação.

Batizado de “Grande Mosaico”, o painel está em uma área ligada às ruínas das Termas de Trajano. O espaço ocupa 60 mil metros quadrados e inclui a êxedra, uma grande parede de contenção semicircular com nichos embutidos, apontada como indício de que o complexo também teria funcionado como biblioteca na Antiguidade.

Durante a apresentação do local, na terça-feira (8), o arqueólogo Francesco Pacetti disse: “Estimamos que seja o maior mosaico de parede já encontrado no mundo romano, e ainda estamos escavando para descobrir onde ele termina”.

O que os arqueólogos já identificaram

Os especialistas ainda não definiram se o mosaico fazia parte das instalações de Nero ou se pertencia a uma residência privada independente que depois foi incorporada ao conjunto. A obra remonta ao século I d.C., e fica sob o Monte Ópio, onde o imperador construiu sua Casa Dourada entre 64 e 68 d.C.

Mais tarde, em 109 d.C., o imperador Trajano transformou toda a área em termas públicas. Tanto o mosaico mais antigo quanto o afresco chamado “Cidade Pintada”, localizado nas proximidades, passaram então a compor o cenário visto pelos frequentadores desses banhos.

Parte do mosaico havia sido encontrada em escavações na década de 1990, mas esse trecho não pôde ser recuperado. O que permaneceu mostra uma cidade portuária murada vista de cima, com praças públicas e torres que, segundo os arqueólogos, não eram comuns no século I d.C.

Os detalhes incluem tons de azul e terracota hoje desbotados e várias cenas espalhadas pela composição. Na parte superior aparecem personagens como um filósofo barbudo em tamanho natural, sua musa, estátuas, um jovem poeta e um palco teatral com colunas, guirlandas e volutas de motivos vegetais. Mármore azul e branco e pedras preciosas completam o efeito visual descrito pelos pesquisadores.

Pacetti também afirmou, na apresentação do local: “Pode ser um lugar real ou uma cidade imaginária; não temos certeza”. De acordo com ele, nenhuma cidade conhecida reúne exatamente essas características, embora um porto da época pudesse tê-las.

Afresco restaurado e próxima etapa

O afresco da “Cidade Pintada” também foi descoberto durante escavações na década de 1990 e passou por restauração recente. Datado do século I, ele tem 10 metros quadrados e fica entre duas colunas na entrada da área onde o mosaico foi encontrado.

A pintura apresenta uma cidade murada com portão de acesso ao porto, vias, um teatro e um templo. Os arqueólogos trabalham agora para revelar outra parte do mosaico, desta vez com cenas de colheita de uvas e produção de vinho.

Segundo autoridades de Roma, o complexo deverá receber lançamentos de livros em referência à sua função original como biblioteca. Na inauguração, o prefeito de Roma, Roberto Gualtieri, disse: “Estamos devolvendo essa maravilha única à cidade”.

Com informações da CNN Brasil

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