Estalo no joelho sozinho nem sempre indica problema

Barulho no joelho, sem outros sintomas, costuma fazer parte do movimento normal; dor, inchaço e travamento mudam a necessidade de avaliação.

Um homem segura o joelho com as duas mãos em fundo branco
Um homem segura o joelho com as duas mãos em fundo branco. Foto: Reprodução / CNN Brasil

Sinais como dor, inchaço, travamento e perda de movimento são os que pedem avaliação especializada.

Ouvir um estalo ao levantar da cadeira, agachar ou subir escadas nem sempre é sinal de lesão no joelho. Segundo a CNN Brasil, o barulho isolado costuma fazer parte do funcionamento normal da articulação e, quando não vem acompanhado de outros sintomas, geralmente não indica desgaste.

O joelho é formado por ossos, cartilagens, ligamentos, tendões e pelo líquido sinovial, que ajuda na lubrificação dos movimentos. Durante a flexão e a extensão, essas estruturas deslizam entre si. Nesse processo, a patela, conhecida popularmente como “rótula”, pode mudar discretamente de posição, e pequenas alterações de pressão dentro da articulação também podem produzir sons.

Nessas situações, o estalo por si só não costuma provocar lesão nem aumentar o risco de desgaste. Em outras palavras, um joelho que faz barulho não está necessariamente “gastando”.

Quando o sinal pede atenção

A recomendação muda quando a crepitação aparece junto com outros sintomas. Dor anterior persistente, aumento de volume, sensação de travamento, dificuldade para dobrar ou esticar completamente a perna, instabilidade ou a impressão de que o joelho “falha” são situações que podem indicar a necessidade de avaliação.

Entre as causas possíveis, estão falta de fortalecimento da musculatura que controla os movimentos do joelho, lesões da cartilagem, problemas nos meniscos, alterações no alinhamento da patela, lesões ligamentares e, em algumas pessoas, sinais iniciais de desgaste articular. Nesses casos, o som deixa de ser apenas uma característica do movimento e passa a estar associado a outra alteração.

Por isso, mais importante do que o ruído em si é observar em que contexto ele aparece e se há limitação para as atividades do dia a dia.

O que não se sabe e o que ajuda

O texto assinado pela Dra. Camila Cohen Kaleka, ortopedista com CRM/SP 127.292 | RQE 57.765, afirma que não há evidências científicas de que o estalo isolado provoque danos às cartilagens. A médica tem Mestrado na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, Doutorado no Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein e é membro da Brazil Health.

O ponto que merece atenção, segundo o texto, é quando a pessoa passa a evitar caminhar, subir escadas ou fazer atividade física por medo do barulho. A diminuição dos movimentos pode levar à perda de força muscular, reduzir a estabilidade do joelho e favorecer piora da dor e das dificuldades funcionais.

Manter a musculatura fortalecida, controlar o peso corporal e praticar exercícios orientados seguem entre as medidas apontadas como importantes para preservar a articulação.

Como é feita a avaliação

Nem todo paciente que relata estalos precisa passar por exames de imagem. Na maioria das vezes, a investigação começa pela história clínica e por um exame físico detalhado.

Quando há sinais de lesão ou dúvidas sobre a origem dos sintomas, o ortopedista pode pedir radiografias, ultrassonografia ou ressonância magnética. O foco, nesses casos, não é o barulho em si, mas verificar se existe alguma alteração estrutural que explique o quadro.

Como o joelho é acionado milhares de vezes ao longo do dia, pequenos estalos podem fazer parte da sua mecânica. Se vierem acompanhados de dor, inchaço, travamentos ou perda de função, a orientação é buscar avaliação especializada. O tratamento precoce, de acordo com o texto, pode evitar a progressão de lesões e permitir retorno mais rápido às atividades diárias.

Com informações da CNN Brasil

Compartilhar