Atleta segue internado em Londrina após fraturar as vértebras C5 e C6; três professores de jiu-jitsu disseram que o golpe era proibido.
A Polícia Civil do Paraná apura as circunstâncias da lesão sofrida pelo lutador Willian “Kabuto” Hiroyuki Masuda durante uma competição de jiu-jitsu em Londrina, no Norte do Paraná. Segundo o g1 Paraná, o atleta está internado no Hospital Evangélico desde 22 de agosto, após fraturar as vértebras C5 e C6 em uma luta contra Juliano Di Pelli Machado.
De acordo com a família, nas atualizações mais recentes, Willian enfrenta dor intensa, segue sem sensibilidade nos membros inferiores e tem pouca sensibilidade nos braços. Ainda não há um diagnóstico fechado, e a equipe médica informou que a recuperação deve ser longa.
Até agora, três testemunhas prestaram depoimento à Polícia Civil. O delegado Roberto Fernandes afirmou que os relatos foram coincidentes ao apontar que a técnica aplicada seria proibida, mas disse que outras diligências ainda serão feitas antes de confirmar a ilegalidade.
Ao falar sobre os depoimentos, o delegado disse: “Os três [que prestaram depoimento] são professores de jiu-jitsu e os três estavam com os seus atletas competindo. Um desses três é um dos coordenadores do evento. […] Segundo os depoimentos, os três são unânimes, alegaram que esse golpe é proibido já há bastante tempo no jiu-jitsu”.
Próximos passos da investigação
A polícia também requisitou à organização do evento documentos como fichas cadastrais e alvarás. Juliano Di Pelli Machado deve ser o último a ser ouvido no inquérito. Procurada, a defesa do atleta informou que não irá se manifestar neste momento. Em outras ocasiões, segundo o g1 Paraná, o advogado havia dito apenas que acompanha o caso.
A investigação começou depois que, em 24 de agosto, o promotor Renato de Lima Castro apresentou uma notícia-crime para que o episódio fosse apurado como lesão corporal de natureza gravíssima. Ele acompanhava a transmissão da competição quando ocorreu o golpe.
O documento ao qual o g1 teve acesso menciona uma diferença de aproximadamente 40 quilos entre os dois atletas. Na notícia-crime, consta: “Ocorre que, em ato de elevada periculosidade, flagrante a qualquer atleta ou espectador comum, o noticiado JULIANO projetou-se completamente, deixando cair todo o seu peso corporal sobre o corpo da vítima Willian ‘Kabuto’, de uma só vez, lesionando severamente a vítima em posição grave de submissão”.
O que dizem defesa e organização
Em nota enviada em 24 de agosto, a defesa de Juliano afirmou que um vídeo do atleta circula nas redes sociais, mas sustentou que a gravação foi feita em um canal privado e quando ele ainda não sabia da gravidade do caso.
Na manifestação, a defesa escreveu: “O atleta Juliano Di Pelli Machado, por meio de sua defesa, manifesta-se sobre o ocorrido durante o Campeonato Super Pro Jiu-Jitsu, realizado em Londrina/PR. Em primeiro lugar, e acima de qualquer outra consideração: Juliano está profundamente abalado com o estado de saúde de Willian Hiroyuki Masuda, atleta a quem respeita e reconhece como adversário de alto nível. Seus pensamentos, e os de sua família, estão inteiramente voltados à recuperação de Willian. À família e à equipe do atleta, Juliano estende sua solidariedade e coloca-se integralmente à disposição para o que estiver ao seu alcance. Juliano tomou conhecimento, ainda hoje (24), da existência de uma comunicação dirigida à autoridade policial a respeito do episódio. Reafirma seu total respeito às instituições e sua absoluta disposição em colaborar com toda e qualquer apuração, prestando os esclarecimentos que lhe forem solicitados pelas autoridades competentes. Precisamente por respeito à investigação — e porque a apuração de um fato ocorrido em competição depende de exame técnico do registro audiovisual, do regulamento da modalidade e da manifestação da arbitragem —, a defesa entende que o lugar adequado para os esclarecimentos é o procedimento oficial, e não o debate público. Não se trata de esquiva: trata-se de garantir que os fatos sejam apurados com a serenidade e o rigor técnico que a gravidade da situação exige, e não pela repercussão de imagens editadas em redes sociais. Juliano é atleta profissional, medalhista em Campeonato Europeu e em Campeonato Mundial, com trajetória construída ao longo de anos de competição em alto nível e sem qualquer histórico de conduta antidesportiva ou punição disciplinar. O jiu-jitsu é sua vida e sua profissão. Os valores da modalidade — respeito ao adversário, disciplina e lealdade — orientam sua conduta dentro e fora do tatame.”
A organização do Super Pro Jiu-Jitsu informou, em nota publicada em rede social, que o competidor foi atendido no local. O texto diz: “Durante o Super Pro Jiu-Jitsu de hoje, um atleta sofreu uma lesão em luta e foi prontamente atendido pela equipe médica e pela ambulância do serviço Mais Saúde, responsável pelo suporte no local. O competidor recebeu os encaminhamentos indicados após a avaliação técnica. A organização acompanha a situação junto à família, prestando o suporte cabível, e reitera seu compromisso com a segurança e o cumprimento de todos os protocolos. Desejamos ao atleta uma pronta recuperação e nos solidarizamos com ele e seus familiares.”
O g1 também procurou a Confederação Brasileira de Jiu Jitsu (CBJJ) desde 25 de agosto, mas não havia recebido retorno até a última atualização da reportagem. Já a Federação de Jiu Jistu do Paraná informou que não tinha conhecimento sobre a realização do campeonato.
Com informações do G1 Paraná