Diesel sobe 12,3% em sete meses e pressiona custos do transporte

Preço médio do diesel S10 passou de R$ 5,78 em janeiro para R$ 6,49 em julho, com pico de R$ 7,13 em abril. Alta afeta diretamente o valor do frete.

Barris de petróleo na praia com plataforma offshore ao fundo e aves voando no céu alaranjado
Barris de petróleo na praia com plataforma offshore ao fundo e aves voando no céu alaranjado. Foto: Reprodução / CNN Brasil

Empresas investem em gestão e tecnologia para reduzir consumo enquanto alternativas como eletrificação e biometano ainda não são viáveis em escala

O preço do diesel acumulou alta de 12,3% entre janeiro e julho deste ano, segundo levantamento da TruckPag obtido pela CNN Brasil. O combustível, que representa entre 30% e 50% dos custos de uma operação de transporte, saiu de uma média de R$ 5,78 por litro no início do ano para R$ 6,49 em julho, chegando a R$ 7,13 em abril.

A queda de 9% em relação ao pico de abril trouxe algum alívio ao setor, mas não devolveu o diesel aos patamares de janeiro. “Apesar do recuo observado desde abril, o diesel continua significativamente mais caro do que no início do ano, o que mantém a pressão sobre os custos das transportadoras”, diz Kassio Seefeld, CEO da TruckPag.

A pesquisa analisou dados de abastecimento em mais de 4,7 mil postos e cerca de 10 mil bombas de combustível em todo o país.

Impacto varia conforme a distância

A dependência do diesel se intensifica nas operações de maior extensão. Marcus D’Elia, sócio da consultoria Leggio, calcula que o combustível representa cerca de 25% do custo do frete em trajetos menores, mas pode chegar a 40% em viagens de até 2 mil quilômetros. “O transporte representa em torno de 50% a 55% do custo logístico. O diesel se torna relevante porque ele vai variar entre 15% e 25% do custo logístico que você tem no transporte de uma carga”, afirmou.

Diante da dificuldade de substituir o combustível em toda a frota brasileira, empresas têm investido em gestão para consumir menos. A estratégia inclui o uso de dados e tecnologia para reduzir quilômetros desnecessários, planejar rotas, controlar o comportamento dos motoristas e negociar abastecimento de forma mais eficiente.

Alternativas energéticas avançam, mas enfrentam limites

A eletrificação da frota tem avançado, principalmente para entregas urbanas, onde veículos podem retornar diariamente à base para recarga. No transporte de longa distância, porém, o tamanho do território brasileiro impõe barreiras. “É nesse espaço que outras alternativas começam a ser testadas, como o gás natural liquefeito, conhecido como GNL, e modelos híbridos”, afirmou Seefeld.

O biometano, produzido a partir de resíduos orgânicos, tem sido a alternativa mais buscada para operações no campo. “Você tem um combustível renovável que eventualmente pode produzir na própria fazenda ou pode ser distribuído por alguma outra unidade de produção próxima daquela propriedade”, explicou o executivo.

Para D’Elia, não existe hoje tecnologia capaz de substituir o diesel em todas as aplicações mantendo o mesmo nível de custo. “Uma substituição imediata poderia, portanto, gerar um novo problema”, disse. Com o transporte de produtos mais caro, esse custo tende a repercutir na economia — seja no preço final, seja na competitividade de empresas brasileiras.

Com informações da CNN Brasil