Estudo ouviu 1.176 mulheres de todas as regiões e aponta renda baixa e falta de apoio como principais gargalos
O empreendedorismo feminino cresce no Brasil, mas ainda enfrenta barreiras estruturais. Segundo estudo do Instituto RME, da Rede Mulher Empreendedora, cerca de 32% das empreendedoras permanecem na informalidade — o que as afasta de garantias financeiras, jurídicas e assistenciais.
A pesquisa, que ouviu 1.176 mulheres de todas as regiões do país, mostra que o negócio próprio nem sempre nasce como escolha. Para 54,7% das respondentes, empreender é uma necessidade, não um plano. A maternidade aparece como estímulo recorrente: 78% das empreendedoras mães tiveram filhos antes de abrir o negócio, buscando independência e equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
Desafios de gestão e cuidado
Entre as principais dificuldades estão marketing, divulgação, gestão de custos e precificação — áreas onde há falta de conhecimento técnico. A “economia do cuidado” também pesa: mais de 80% das empreendedoras já interromperam as atividades para cuidar da família, especialmente dos filhos. Três em cada quatro não contam com rede de apoio pessoal.
A renda é outro ponto vulnerável. Quase metade dos negócios (46,6%) fatura até dois salários mínimos, em média de R$ 3.242. Para 38%, o valor não cobre as despesas do negócio, o que impede a formação de poupança e inviabiliza investimentos.
Formalização e acesso a crédito
A informalidade limita o desenvolvimento. Entre as não formalizadas, 38,9% citam o custo como principal impedimento. O acesso a crédito é o maior entrave para 35,4% das respondentes.
Ana Fontes, fundadora da Rede Mulher Empreendedora, defende medidas práticas: separar finanças pessoais e empresariais, definir pró-labore fixo e criar conta bancária exclusiva para o negócio. “Vender mais antes de fazer essa divisão apenas aumenta o volume de dinheiro entrando e saindo sem controle”, afirma.
Para reduzir a informalidade, ela propõe letramento que traduza a burocracia em benefícios concretos: emissão de notas, crédito com juros menores, parcerias e proteção social como o auxílio-maternidade. “Quando a formalização é apresentada passo a passo, ela deixa de ser vista como cobrança estatal e passa a ser reconhecida como decisão estratégica”, diz.
Com informações da CNN Brasil